Diário

Prisão preventiva e Sócrates

Bem sei que hoje fica mal a todos, perante a dúvida, defender José Sócrates mas como eu não quero propositadamente defender o homem, embora o faça indiretamente ao usar o seu caso como exemplo, vou falar de pisão preventiva.

Digo que só o faço porque não se fala de outra coisa de momento e assim é mais fácil fazer-me entender, desde já adivinho que vão dizer que eu sou um tolo e que não sei o que digo. Ora como já estou habituado a que pensem isso de mim, tal não me preocupa minimamente e a esses apenas digo que posso legitimamente pensar o mesmo deles e até achar que sabem menos do que eu acerca do assunto. Presunção e água benta, cada um toma a que quer.

Em abono da verdade devo dizer que sou um aceso opositor da prisão preventiva, situação que só admito em casos extremos e como intransigente forma de obstar à continuação de uma certa criminalidade violenta, ou para casos em que o arguido confesse de forma peremptória a autoria de um crime punível com prisão efetiva e sem a possibilidade de suspensão da pena, nessa condição apenas porque essa prisão o não prejudicará por força que será depois descontada na prisão efetiva a cumprir.

Começo por chamar a atenção para uma simples coisa: Portugal é um dos países da Europa, essa que tem a civilização que perfilhamos, onde a taxa percentual de criminalidade é muito baixa quando comparada com a dos seus congêneres europeus, mas simultaneamente é o país que na mesma comparação tem a maior taxa percentual de presos preventivos, já para não dizer o mesmo de toda a população prisional. Não dará isto que pensar sobre a atuação dos senhores juízes? Pelo menos no caso de alguns dará com toda a certeza.
Passemos adiante ao que acho sobre o que vem acontecendo com a determinação da medida de coação “prisão preventiva” de forma recorrente e até abusiva no meu entender. Falarei a título de exemplo do caso Sócrates, mas podia falar do de Oliveira e Costa, do de Duarte Lima, do de Paulo Pedroso, do de Carlos Cruz, do de Manuel Paulos, Fátima Felgueiras e outros que amiúde se têm sucedido.

Ora para determinar a medida de coação mais grave a José Sócrates o Juiz não o pode fazer nunca com base nos indícios que tem diante de si em relação aos crimes de que está o arguido indiciado (pelo menos esse é o entendimento que extraio do que leio nos artigos a isso respeitantes do código do processo penal) mas sim nos motivos que podem motivar a determinação de tal medida e que são os já sobejamente falados perigo de fuga, perturbação do inquérito com a destruição de provas ou a continuidade da atividade criminosa com a correspondente perturbação da ordem social. Reafirmo, a quase certeza da acusação e os indícios fortes de terem sido cometidos os crimes de que é suspeito José Sócrates não interessam para a determinação da prisão preventiva.

Deixo aqui um trecho de um documento que observa muito bem esta questão:

“A prisão preventiva é aplicada, sempre, a quem é presumivelmente inocente, por não ter sido ainda submetido a julgamento ou, tendo-o sido, por não ter ainda transitado em
Julgado, a respetiva sentença. Ou seja, a prisão preventiva é sempre aplicada a quem pode
não ter praticado qualquer crime; a quem pode vir a ser absolvido.
Por isso, é fácil perceber o carácter excecional que se quis atribuir à prisão preventiva e que, efetivamente, o nosso legislador atribuiu.
Todos nós percebemos isso. Não são precisas grandes considerações.”

(Rui Silva Leal)

Pois ainda que concordando na essência com o que diz o ilustre advogado, tenho a contrapor que para o comum cidadão e que mesmo entre juristas e magistrados, aquilo que dá por garantido que será por todos percebido eu tenho a absoluta certeza que não é, dai a necessidade de considerações.

Voltemos pois aos motivos que podem levar à determinação da medida de coação de privação da liberdade começando pelo perigo de fuga.

Embora entendendo as vantagens de ter o arguido à mão e não querendo que este possa fugir, creio que há hoje em dia vários meios de controlar e evitar que tal possa acontecer, como a apreensão do passaporte e a obrigação de apresentações a uma autoridade, não sei até se o rastreio de telemóvel será ou não legal, já para não dizer que cumpre ao estado assegurar que isso não acontece sem privar a liberdade de quem obrigatoriamente se tem de presumir inocente, de acordo com a lei, a mesma lei que permite a ferramenta da prisão preventiva.

Mas supondo que ainda assim o arguido foge, e sabendo eu, que isso poderá atrasar o processo e o seu julgamento, tal facto não evitaria o julgamento e a possível condenação e a emissão de mandados de captura internacionais que tarde ou cedo trariam o arguido, então já condenado, a ter de cumprir a sua pena, para concluir tal coisa não fazemos nenhum tipo de futurologia, baseamo-nos só e tão só no que vamos vendo acontecer frequentemente. Ao invocar este perigo o estado cobre as suas fraquezas condenando à prisão quem em abstrato pode ser absolvido.

Além de que no caso de quem nunca tentou fugir nem se demonstre tal intenção, o perigo de fuga mais não é que uma perceção na cabeça do magistrado do ministério público que a sugere e do Juiz que a determina, sem nada de concreto que sustente tal perceção fora do foro da adivinhação.

A título de exemplo damos o caso de Fátima Felgueiras, que fugiu para o Brasil perante a eminência de ser presa preventivamente e que depois, em sede de julgamento, ao qual compareceu, não lhe foi atribuída pena de prisão efetiva. Seria justa e adequada neste caso a prisão preventiva? Creio claramente que não e que seria uma efetiva condenação sem julgamento. Tal não pode ser aceite num estado de direito democrático.

Já quanto ao segundo motivo, o de destruição de provas e consequente prejudicar o inquérito, tenho para mim que de novo cumpre ao estado, de forma legítima e democrática recolher os indícios e informações necessárias para instruir um processo de acusação e prova-lo em julgamento sem retirar do gozo da liberdade a um qualquer suspeito de haver cometido um crime. Nestes casos julgo mesmo que a prisão pode ser contraproducente por evitar que se recolham mais e melhores indícios por acabar com a possibilidade de escutar ou seguir as conversas e deambulações do suspeito.

Sirvo-me para cimentar o que digo do Doutor Figueiredo Dias:

“Não há que prender para investigar; há sim, que investigar para prender.”

Ora no caso Sócrates mais uma vez o estado abusa ilegitimamente do entendimento das suas próprias leis se ainda não tem um caso sólido e determina a prisão preventiva para o instruir, o tal prender para investigar, tendo já o tal caso sólido com muitos indícios e fortes, já recolhidos, deve então avançar para a acusação sem recurso à prisão preventiva.

Chegamos pois agora ao terceiro motivo que permite a determinação da prisão preventiva, a continuidade da atividade criminosa. Neste caso Sócrates, com as garantias e direitos que a prisão preventiva permite, não vejo onde possa o facto de estar preso obstaculizar a dar ordens de transferência ou autorizar terceiros que mudem dinheiros de contas ou locais se imaginarmos que essa seria a sua intenção ou possibilidade. Como tal e sem que a coisa seja fácil de demonstrar, teremos de cair outra vez na ideia que o Juiz determina com base na perceção e sem nada que suporte tal. Já para não dizer que é absolutamente incapaz tal medida de evitar que o crime da fraude fiscal ou do branqueamento de capitais possa continuar a ocorrer. Infiro daqui que ou o Juiz é muito ingénuo ou desconhece em absoluto a mecânica de como funcionam os movimentos de capitais.

Associasse à continuidade da atividade criminosa a perturbação da ordem e o respetivo alarme social, aqui julgo mesmo que temos um povo vacinado contra este tipo de crimes e como tal já não perturbável porque alguém rouba na política ou nos mais altos patamares da sociedade, pois então não creio que da liberdade de Sócrates viesse perturbação da ordem pública. Acredito mesmo que o alarido e desinformação e as tentativas de violação do segredo de justiça ficarão muito potenciados pela prisão extraordinária de um poderoso, factos que acicatam os média por permitir boas vendas ou shares, perturbando assim muito mais a ordem social.

Por tudo o que atras disse julgo pois que a situação da prisão preventiva de Sócrates traz muito mais prejuízos para a sociedade que a manutenção da sua liberdade e que tem trazido à tona o pior que os portugueses têm que é uma atitude justicialista sem que a fundamentem em coisa alguma que não seja a sua perceção pessoal e o julgamento emocional que fazem de um homem como José Sócrates que como sabemos é causador de ódios e amores incontidos. Sentimentos esses na maioria das vezes sem nenhum fundamento bem estruturado que não seja a tal emoção de cada momento e do julgamento que fazem dele enquanto o primeiro-ministro que foi.

Julgo que esta campanha de intoxicação que este espalhafatoso caso provoca, já para não falar dos recorrentes crimes de violação do segredo de justiça que sistematicamente acontecem à volta dele, nada traz de bom ao estado de instabilidade institucional e de descrédito nas instituições que os cidadãos vivem hoje em dia em Portugal.

A quem aproveitará então todo este aparato?

Esta é a pergunta que deixo para que reflitam um pouco os meus, castigados, concidadãos.

Concluo que esta situação é triste, causa descrédito nos estados com quem nos relacionamos, minando assim a credibilidade internacional que tanto temos vindo a apregoar como importante e necessária.

Se calhar temos o povo, os governantes e o país que merecemos…

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Poesia

Fugazes tempos

Quando é doce a companhia
muito tempo nos parece pouco,
palpita o peito que parece louco
as horas voam em negra magia.

Lindas pessoas de enorme nobreza
ternas, calmas e com sobriedade,
são belos segundos de felicidade
envoltos de uma aura de pureza.

Quando nos falam ou quando olham
são sons calmos, é fascínio profundo
e frémitos das entranhas nos exalam.

Mesmo na agrura amenizam a dor
neste chorar que vivemos no mundo
dão-nos sonhar e o acreditar no amor.

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Diário

Sócrates, vistos Gold, BES, o turbo juiz e as detenções para interrogatório.

Já vimos assistindo há uns dias para cá a várias detenções para interrogatório de pessoas mais ou menos mediáticas, sejam elas da área da banca, da política ou até representantes de polícias e institutos estatais e para cúmulo até um ex-primeiro ministro.
Por princípio, acreditamos que qualquer um destes senhores detidos nos últimos meses se apresentaria no tribunal de livre vontade para prestar declarações se para isso fosse convocado. A surpresa, essa que alguns investigadores acham que ajuda a produzir prova, estaria sempre garantida desde que os tribunais, ou melhor, a estrutura judicial consiga manter aquilo que se designa por segredo de justiça. Assim não conseguindo evitar um crime (violação do segredo de justiça), de maneira que as televisões e os outros meios de comunicação social sabem sempre onde as coisas vão acontecer, os membros dos tribunais com poder para tal, servem-se do chico-espertismo e atacam de tocaia, detêm desnecessariamente, no nosso entender, até provocando um alarido e alarme social que de todo não deviam ser apanágio dos tribunais nem do sistema judicial.
Esta é apenas uma forma de condenar na praça pública, sem julgamento justo e imparcial, uma série de cidadãos sejam eles culpados ou não. Esta atitude além de feia é de honestidade muito discutível, já para não dizer será até uma ilegalidade à luz da nossa constituição e do ordenamento jurídico que lhe subjaz. Se outra consequência não tiver, tem a de colocar todo o país a discutir o mesmo assunto e permitindo assim voluntária ou involuntariamente uma manipulação dos cidadãos menos conhecedores destas tramitações.
Entendemos que nestes casos cumpre à estrutura judicial e ao estado ser exemplo, agindo dentro da legalidade sem abusos das capacidades, essas que um sistema que parte do princípio do bom senso por parte dos mais esclarecidos coloca à sua disposição.
Deixa-nos preocupados neste assunto também que um juiz, ao que parece e segundo dizem homem meticuloso e muito competente, tenha em poucos meses detido para interrogatório tanta gente, oriunda de processos tão díspares como complicados e tenha a seu cargo tantos milhares de documentos com tanta prova para estudar, analisar e tratar para chegar a conclusões justas. Se calhar era melhor ter menos trabalho para poder tratar melhor das coisas. Bem sabemos que dessa forma o seu nome viria menos vezes à praça pública o que até nos parece melhor em termos de recato e para não sofrer pressões e assim poder trabalhar mais tranquilo e como menos camaras a apontar para si.
Como não têm tempo e porque não querem ser tramados, os tribunais escolhem quase sempre o caminho mais fácil, detêm para interrogatório e mantêm em prisão preventiva para investigar, usando de novo no nosso entender de uma atitude chico-esperta e que não acautela os direitos dos arguidos de acordo com o espirito das leis que comportam estas ferramentas processuais. Em relação a isto temos uma posição clara, vale mais um milhão de criminosos em liberdade que um só inocente preso injustamente. Não queremos um país cheio de justiceiros e que instiga a queixa particular ou a intromissão dos cidadãos na vida de outros cidadãos. Cumpre ao estado averiguar da legalidade dos atos sem usar abusivamente de prerrogativas a que pode ter acesso, prerrogativas que sem a justa e cautelosa ponderação das situações pode facilmente transformar o estado numa entidade que não respeita as suas próprias leis.
Que reparação possível haverá para os danos causados a uma pessoa como perfil público de José Sócrates, ou outros de igual mediatismo, caso não se consiga agora provar a sua culpa e assim condená-lo?
Assiste-se também em vários órgãos de comunicação social a reportagens de teor pouco rigoroso e até tendencioso, colocando-se como cães numa matilha todos a bater no que na hora está por baixo. Adotando alguns pivô de noticiários, jornalistas e comentadores, além da iluminada Felícia Cabrita, essa acima de todos porque ao ouvi-la toda a gente passa a acreditar que todo o trabalho do tribunal e das polícias seria absolutamente escusado, dado o facto de que ela sabe exatamente tudo que se passa e o que se passou. Deveria haver um tribunal que decidisse sobre as carteiras de jornalistas? Nós achamos que sim.
Como conclusão opinamos que estes casos mediáticos de justicialismo, mais que ajudar um país quase falido e com muito pouca esperança nas faces dos seus cidadãos, só enlameiam e tornam menos perceptíveis os caminhos para um rumo mais capaz e que nos leve a bom porto. É que aqueles que hoje, muitos acham que devem ser condenados, são os mesmos que esses ou outros, noutras alturas elegeram e nomearam para cargos de relevo na nossa atividade politica ou governativa. Se calhar devíamos era mudar um sem número de coisas no ordenamento dos valores e no acesso à riqueza e sua distribuição para com isso alcançar maior justiça social e dessa forma eliminar certos comportamentos e eventualmente por eles colocar justos e injustos na mesma caixa.

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Diário

Vistos dourados

Já começa a irritar esta conversa, todos os dias desde quinta-feira passada, ele é onze detidos, ele é o juiz Carlos Alexandre que os mandou deter, ele é o diretor nacional do SEF, ele é o diretor nacional do IRN, ele é a secretária geral do ministério da justiça e até é a demissão do ministro da administração interna.
Insuspeitos seremos de apoiar esta gentinha, temos para nós que andamos todos a dar demasiada atenção a uma situação que tinha tudo para correr mal desde o início do processo de concessão desta aberração (Visto Gold) que dá direitos a quem tem dinheiro e não dá a outras pessoas por melhores que sejam. Esta seleção é bem reveladora da gentinha que nos governa e em que base assenta a sua “ideologia” político-social.
Ora se legitimam de tal forma o dinheirito, tratando melhor quem tem mais, porque não admitimos que esta gente, de duvidosas atitudes e honestidade, procure ter mais para assim serem mais bem tratados pela sociedade que valoriza de sobremaneira quem pode comprar mais coisas?
Parece que nos indícios acusatórios de alguns dos detidos se fala de duas garrafas de vinho e de cinco mil euros. Triste figura anda esta gentinha a fazer ao prostituir-se por tão pouco, tudo só para ter um carro ou uma casa melhor, vestirem coisas de marca ou irem a restaurantes mais finórios.
Mas entendendo-os, porque fazem parte de um grupo que vive anestesiado pelos prazeres da vida, pelo olhar de cima para baixo para a generalidade dos seus concidadãos e entendendo-os sobretudo porque são pessoas de uma casta medíocre que sem dinheiro não se afirmariam de maneira nenhuma, que gravitam nas orlas partidárias e nas dos relacionamentos com determinadas individualidades ou ainda porque carregam um apelido qualquer que já foi de gente importante.
Ora se este governo que é quem representa o estado, valoriza tanto o dinheiro que vem de fora, mesmo sem averiguar muito bem de onde vem e de que forma foi ganho. Porque “raios e coriscos” agora perseguem os tribunais quem o valoriza na mesma medida e quer por a mão ao mais que pode desse tal dinheiro, bem criador de sucesso e capacidades que quem tem menos nunca poderá almejar?
É este hibridismo de conceitos e a subversão dos valores pelos quais se deve reger uma sociedade decente, justa, solidaria, diremos mesmo evoluída e moderna que depois provoca que quem tem ambições de grandeza e vontade de enormes posses, use de ardis e estratégias dúbias para obter riqueza. Numa sociedade onde a distribuição da riqueza assenta sobretudo na especulação e chico-espertismo, mas onde se diz à boca cheia que deve assentar no trabalho e pasme-se no mérito, só podemos esperar que os mais fracos de mente e mais atreitos a deixar-se convencer pelo material se deixem seduzir pela facilidade com que certos esquemas dão acesso a muito mais dinheiro que o tal trabalho e mérito.
Pois dentro de tal modelo, que a maioria do nosso país legítima, porque tem votado sistematicamente neste modelo político, alternando entre os dois partidos onde pululam estes salafrários, e sempre acompanhados pela prostituta agremiação que dá para os dois em função daquele que em cada altura dá acesso ao poder. O que pretenderão os cidadãos senão ser estraçalhados por um bando de hienas?
Chorem pois agora, tal virgens impolutas, dizendo cobras e lagartos desta gente mafiosa, mas não mudem de gente que governa, perpetuem tal casta no comandar do nosso triste país. Cremos até que muitos choram lágrimas de crocodilo porque o que queriam mesmo era ter, por esse ou outro qualquer ardil, acesso a quantidades exorbitantes de dinheiro, não tendo de sujeitar-se a duros trabalhos ou canseiras.
Se calhar temos o país que merecemos…

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Diário

O apalhaçado ministro da economia

Hoje quase ria-mos de espanto perante a forma apalhaçada que o ministro Pires de Lima utilizou na assembleia da republica, não fora ser sério o facto de ele ser ministro de um governo nacional. Tentará o homem ser o Tiririca cá do sitio? Se sim é pena que nos tenha gasto tanto dinheiro a estudar, o outro o original, nem precisou de andar na escola.

Para que possa ser confirmado o que digo, deixo aqui o caminho para a noticia.

Esta gente ou bebe ou fuma quase de certeza, de outra forma não estaria com uma postura ridícula destas num local que não é nada próprio para palhaçadas. Que nos mintam por lá já vamos estando habituados, agora que juntem às mentiras e à demagogia um exercício de comédia com ar de stand-up com tom apalhaçado é que nos parece um exagero e soa a que alem de nos sodomizarem ainda colocam areia no lubrificante.

Não pensem os meus estimados leitores que não ponderei se o tom em que escrevo este texto seria ou não exagerado. Fi-lo, só que conclui que se o ministro pode dar um ar de maluco muito menos mal me ficará a mim este tom exagerado.

Estes tristes governantes, inchados de vaidade e arrogância, julgam-se capazes de tudo e já nem se incomodam em ter decoro e aprumo, esses que um lugar de ministro impõem a quem o desempenha.

Estamos entregues a um bando de loucos e incapazes que dirigem um governo que é só o mais incompetente da história da democracia portuguesa no pós 1974. Como foram legitimamente eleitos, embora em cima de um chorrilho de falsidades, teremos o que merecemos.

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Reflexões

Orientação sexual

Vamos abordar um tema, que quase nunca deveria ser assunto de discussão, já que é uma escolha individual, como tal deveria ser como gostar mais de uma comida ou de outra… Ninguém discute se uma pessoa gosta de marisco ou não, se gosta de caracóis ou não… Pois se gostos de comida não se discutem, porque se discute se gostamos de homens ou mulheres? Pior ainda, quando uns se julgam superiores e mais acertados que outros apenas porque são uma coisa e não outra em termos de escolha de parceiro…
Preconceito é preconceito, e achar que sabemos o que é melhor ou pior para outro é um exercício de adivinhação pura, para lhe não chamar exercício de estupidez incapacitante.

Depois poderemos sempre discutir se determinadas pessoas podem ou não ter certos direitos, no caso, o da adoção de crianças… Nesse caso pré-determinar essa capacidade com base na orientação sexual, volta a ser novo exercício de estupidez, pois quase todos os casos de maus tratos e abusos de todas as naturezas a menores, se passam em relacionamentos ou famílias heterossexuais… Talvez aqui só a matemática seja a causa e tal facto assente apenas no número de famílias heterossexuais, sendo este infinitamente superior ao das famílias homossexuais… Fica o beneficio da duvida.

Lamentamos informar alguns dos mais defensores da relação heterossexual, como a única decente e desenhada pela natureza, que muito provavelmente em pouquíssimas gerações o parceiro sexual passará a ser o que está mais à mão, independentemente de ser homem ou mulher… Será a natureza a operar essa mudança, ou aqui é só a cabeça do homem a operá-la? Respondam se souberem os iluminados opinadores das leis da natureza.
Muitos dos que opinam contra a homossexualidade de forma violenta e desprovida de saber ou educação, não fundamentam a sua ideia em coisa nenhuma palpável, cientifica ou concepcional, fundamentam apenas com base na educação e preconceito de cada um.

Saberão esses que na pátria da nossa civilização moderna, a antiga Grécia, os senhores só eram verdadeiramente reconhecidos como ilustres se tivessem um jovem companheiro? Que as orgias gregas eram homossexuais masculinas? Que a prática da homossexualidade é da idade dos humanos? Que mais espécies animais praticam a homossexualidade? Que os humanos são, antes de tudo, um animal? Que a preferência e o gosto, por uma pessoa do mesmo gênero, estão carregados nos genes de cada um?

Após tentarem responder às perguntas atrás formuladas, talvez já entendam que hoje são essencialmente as religiões e as mentes conservadoras que forçosamente querem fazer valer para os outros as suas ideias, esquecendo que a sua opinião não é mais capaz que a do vizinho do lado, quando a questão são os costumes… A verdade é que cada um sabe de si, mas do outro, só sabe o que esse outro, lhe disser não mentindo…
A obrigação de cada um é ser feliz, cada um será à sua maneira, desde que objetivamente não faça mal ao seu semelhante, nem importune de forma objetiva… Já se importunamos por sermos diferentes e de forma absolutamente subjetiva, é um castigo merecido para os importunados, pois não deviam preocupar-se com a vida subjetiva dos outros…

A nossa educação e cultura é absolutamente fundamentada em conceitos que noutros tempos permitiam matar e torturar com base em crenças e outras regras de fundamento quase sempre religioso ou metafisico, lembram-se da inquisição? Partilhavam da mesma abordagem que os críticos da homossexualidade hoje praticam. Somos na cultura ocidental, condicionados por valores educacionais de base judaico-cristã, assentes em cima de cânones religiosos com mutação muito lenta, daí a relutância em se abrir à diferença. Lá chegaremos com o tempo.

Não vemos normalmente nenhum homossexual a tentar convencer nenhum heterossexual para a sua prática, a menos que estejam interessados em o ter como parceiro de sexo ou de relacionamento, caberá aqui, tal como nas relações heterossexuais o direito, a dizer não, a cada um dos que não quiser. Confessamos que as paradas gays não nos agradam, ao gosto pessoal, por serem demonstrações espalhafatosas, compreendo que são para chamar a atenção para o coartar de direitos, tal como as manifestações feministas, ou de defesa dos animais etc. etc., sem tirar nem por… Mas entendemos todas absolutamente desnecessárias numa sociedade decente…

Não devemos obrigar ninguém a nada, nem pregar a nossa orientação sexual como a única acertada… Todas são, pois a tal natureza que alguns usam para justificar, foi a mesma que deu ao homem e aos macacos o prazer em fazer sexo, a intenção de fazer sexo, sem ser para procriar… Caso não tenham dado conta, o ato sexual serve para muito mais coisas que procriar.

Resumindo, é uma estupidez querer decidir para outro ser humano se ele deve ou não escolher uma determinada orientação sexual… Nos gostos devemos ser absolutamente flexíveis, cada um gosta do que gosta, desde que objetivamente não moleste ou violente terceiros…
Mas certos valores preconceituosos e hipócritas, podem até desmontar-se quando vemos tanta prática homossexual, desgraçadamente muitas vezes com menores, por parte de membros da igreja, estrutura que pouco admite a homossexualidade… Serão doentes esses senhores vigários? Creio que não.

Nota: escrito em novembro de 2013, após acalorada discussão com uns amigos, por autor heterossexual e até católico por formação embora pouco celebrante.

Deixamos um poema para tentar dar clarividência a certas mentes mais entulhadas de teias de aranha e lixo preconceituoso…

 

António Gedeão

António Gedeão – Impressão Digital

Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
Que eu vejo no mundo escolhos
Onde outros com outros olhos,
Não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
Uns outros descobrem cores
Do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
Onde passa tanta gente,
Uns vêem pedras pisadas,
Mas outros, gnomos e fadas
Num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
Querer ser depois ou ser antes.

Cada um é seus caminhos.

Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

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Poesia

Escolha natural

Nesta coisa dos sexos, deves escolher
olha que há muita gente enganada,
uns que julgam tudo saber
ou que outros não sabem nada,
e opinam de consciência bem minada.

Nos costumes são bem casmurros,
não aceitam a normal diferença.
São teimosos animais, talvez burros,
adoram insultar, causar desavença,
sempre que julgam, sai ruim sentença.

No gosto, só a estupida militância,
não suportam diversos amores.
Desconhecem a beleza da tolerância,
são na vida uns austeros pastores,
ao seu gado, só palha, nunca erva e flores.

Deverá a todos apenas comandar a vontade,
nunca o seguidismo a humano ou divindade.

Cada um deve viver com quem entender
seja macho ou fêmea, mulher ou homem.
Tudo devem fazer sem ter de o esconder,
não importa que sexo gostam e consomem,
gay ou lésbica, é gente, não é lobisomem.

Chegarão bons tempos de mudança,
aceitarão o que pensas, escolhes e dizes.
Obscurantismos jamais serão herança,
no mundo haverá cores e seus matizes,
numa única obrigação, a de ser felizes…

Há pois que lutar por um mundo mais perfeito,
onde seja bom viver, sem estupidez nem preconceito.

Dinis Jesus 14-02-2014

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Poesia

Certos Burros

Parecem gente sem instrução
Alguns que até sabendo ler
Vão falando, mas sem ilusão
E ser estúpidos é o que sabem ser.

Ao insulto recorrem amiúde
Aos outros dons não podem aceder
Maltratam cabeças com saúde
Forma única de burrices esconder.

Estamos já a isso bem habituados
Assim não atendemos aos seus urros
Não ligamos por ser enxovalhados
É o desconto a dar a certos burros .

Dinis Jesus — 02-11-2014

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Poesia

Morte Devagar

Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.

Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja quem não lê quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.

Martha Medeiros

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