Diário

Vistos dourados

Já começa a irritar esta conversa, todos os dias desde quinta-feira passada, ele é onze detidos, ele é o juiz Carlos Alexandre que os mandou deter, ele é o diretor nacional do SEF, ele é o diretor nacional do IRN, ele é a secretária geral do ministério da justiça e até é a demissão do ministro da administração interna.
Insuspeitos seremos de apoiar esta gentinha, temos para nós que andamos todos a dar demasiada atenção a uma situação que tinha tudo para correr mal desde o início do processo de concessão desta aberração (Visto Gold) que dá direitos a quem tem dinheiro e não dá a outras pessoas por melhores que sejam. Esta seleção é bem reveladora da gentinha que nos governa e em que base assenta a sua “ideologia” político-social.
Ora se legitimam de tal forma o dinheirito, tratando melhor quem tem mais, porque não admitimos que esta gente, de duvidosas atitudes e honestidade, procure ter mais para assim serem mais bem tratados pela sociedade que valoriza de sobremaneira quem pode comprar mais coisas?
Parece que nos indícios acusatórios de alguns dos detidos se fala de duas garrafas de vinho e de cinco mil euros. Triste figura anda esta gentinha a fazer ao prostituir-se por tão pouco, tudo só para ter um carro ou uma casa melhor, vestirem coisas de marca ou irem a restaurantes mais finórios.
Mas entendendo-os, porque fazem parte de um grupo que vive anestesiado pelos prazeres da vida, pelo olhar de cima para baixo para a generalidade dos seus concidadãos e entendendo-os sobretudo porque são pessoas de uma casta medíocre que sem dinheiro não se afirmariam de maneira nenhuma, que gravitam nas orlas partidárias e nas dos relacionamentos com determinadas individualidades ou ainda porque carregam um apelido qualquer que já foi de gente importante.
Ora se este governo que é quem representa o estado, valoriza tanto o dinheiro que vem de fora, mesmo sem averiguar muito bem de onde vem e de que forma foi ganho. Porque “raios e coriscos” agora perseguem os tribunais quem o valoriza na mesma medida e quer por a mão ao mais que pode desse tal dinheiro, bem criador de sucesso e capacidades que quem tem menos nunca poderá almejar?
É este hibridismo de conceitos e a subversão dos valores pelos quais se deve reger uma sociedade decente, justa, solidaria, diremos mesmo evoluída e moderna que depois provoca que quem tem ambições de grandeza e vontade de enormes posses, use de ardis e estratégias dúbias para obter riqueza. Numa sociedade onde a distribuição da riqueza assenta sobretudo na especulação e chico-espertismo, mas onde se diz à boca cheia que deve assentar no trabalho e pasme-se no mérito, só podemos esperar que os mais fracos de mente e mais atreitos a deixar-se convencer pelo material se deixem seduzir pela facilidade com que certos esquemas dão acesso a muito mais dinheiro que o tal trabalho e mérito.
Pois dentro de tal modelo, que a maioria do nosso país legítima, porque tem votado sistematicamente neste modelo político, alternando entre os dois partidos onde pululam estes salafrários, e sempre acompanhados pela prostituta agremiação que dá para os dois em função daquele que em cada altura dá acesso ao poder. O que pretenderão os cidadãos senão ser estraçalhados por um bando de hienas?
Chorem pois agora, tal virgens impolutas, dizendo cobras e lagartos desta gente mafiosa, mas não mudem de gente que governa, perpetuem tal casta no comandar do nosso triste país. Cremos até que muitos choram lágrimas de crocodilo porque o que queriam mesmo era ter, por esse ou outro qualquer ardil, acesso a quantidades exorbitantes de dinheiro, não tendo de sujeitar-se a duros trabalhos ou canseiras.
Se calhar temos o país que merecemos…

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