Diário

Sócrates, vistos Gold, BES, o turbo juiz e as detenções para interrogatório.

Já vimos assistindo há uns dias para cá a várias detenções para interrogatório de pessoas mais ou menos mediáticas, sejam elas da área da banca, da política ou até representantes de polícias e institutos estatais e para cúmulo até um ex-primeiro ministro.
Por princípio, acreditamos que qualquer um destes senhores detidos nos últimos meses se apresentaria no tribunal de livre vontade para prestar declarações se para isso fosse convocado. A surpresa, essa que alguns investigadores acham que ajuda a produzir prova, estaria sempre garantida desde que os tribunais, ou melhor, a estrutura judicial consiga manter aquilo que se designa por segredo de justiça. Assim não conseguindo evitar um crime (violação do segredo de justiça), de maneira que as televisões e os outros meios de comunicação social sabem sempre onde as coisas vão acontecer, os membros dos tribunais com poder para tal, servem-se do chico-espertismo e atacam de tocaia, detêm desnecessariamente, no nosso entender, até provocando um alarido e alarme social que de todo não deviam ser apanágio dos tribunais nem do sistema judicial.
Esta é apenas uma forma de condenar na praça pública, sem julgamento justo e imparcial, uma série de cidadãos sejam eles culpados ou não. Esta atitude além de feia é de honestidade muito discutível, já para não dizer será até uma ilegalidade à luz da nossa constituição e do ordenamento jurídico que lhe subjaz. Se outra consequência não tiver, tem a de colocar todo o país a discutir o mesmo assunto e permitindo assim voluntária ou involuntariamente uma manipulação dos cidadãos menos conhecedores destas tramitações.
Entendemos que nestes casos cumpre à estrutura judicial e ao estado ser exemplo, agindo dentro da legalidade sem abusos das capacidades, essas que um sistema que parte do princípio do bom senso por parte dos mais esclarecidos coloca à sua disposição.
Deixa-nos preocupados neste assunto também que um juiz, ao que parece e segundo dizem homem meticuloso e muito competente, tenha em poucos meses detido para interrogatório tanta gente, oriunda de processos tão díspares como complicados e tenha a seu cargo tantos milhares de documentos com tanta prova para estudar, analisar e tratar para chegar a conclusões justas. Se calhar era melhor ter menos trabalho para poder tratar melhor das coisas. Bem sabemos que dessa forma o seu nome viria menos vezes à praça pública o que até nos parece melhor em termos de recato e para não sofrer pressões e assim poder trabalhar mais tranquilo e como menos camaras a apontar para si.
Como não têm tempo e porque não querem ser tramados, os tribunais escolhem quase sempre o caminho mais fácil, detêm para interrogatório e mantêm em prisão preventiva para investigar, usando de novo no nosso entender de uma atitude chico-esperta e que não acautela os direitos dos arguidos de acordo com o espirito das leis que comportam estas ferramentas processuais. Em relação a isto temos uma posição clara, vale mais um milhão de criminosos em liberdade que um só inocente preso injustamente. Não queremos um país cheio de justiceiros e que instiga a queixa particular ou a intromissão dos cidadãos na vida de outros cidadãos. Cumpre ao estado averiguar da legalidade dos atos sem usar abusivamente de prerrogativas a que pode ter acesso, prerrogativas que sem a justa e cautelosa ponderação das situações pode facilmente transformar o estado numa entidade que não respeita as suas próprias leis.
Que reparação possível haverá para os danos causados a uma pessoa como perfil público de José Sócrates, ou outros de igual mediatismo, caso não se consiga agora provar a sua culpa e assim condená-lo?
Assiste-se também em vários órgãos de comunicação social a reportagens de teor pouco rigoroso e até tendencioso, colocando-se como cães numa matilha todos a bater no que na hora está por baixo. Adotando alguns pivô de noticiários, jornalistas e comentadores, além da iluminada Felícia Cabrita, essa acima de todos porque ao ouvi-la toda a gente passa a acreditar que todo o trabalho do tribunal e das polícias seria absolutamente escusado, dado o facto de que ela sabe exatamente tudo que se passa e o que se passou. Deveria haver um tribunal que decidisse sobre as carteiras de jornalistas? Nós achamos que sim.
Como conclusão opinamos que estes casos mediáticos de justicialismo, mais que ajudar um país quase falido e com muito pouca esperança nas faces dos seus cidadãos, só enlameiam e tornam menos perceptíveis os caminhos para um rumo mais capaz e que nos leve a bom porto. É que aqueles que hoje, muitos acham que devem ser condenados, são os mesmos que esses ou outros, noutras alturas elegeram e nomearam para cargos de relevo na nossa atividade politica ou governativa. Se calhar devíamos era mudar um sem número de coisas no ordenamento dos valores e no acesso à riqueza e sua distribuição para com isso alcançar maior justiça social e dessa forma eliminar certos comportamentos e eventualmente por eles colocar justos e injustos na mesma caixa.

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