Diário

Barroso e a sua nova visão da austeridade.

Lemos hoje que Durão Barroso presidente da comissão europeia, disse umas coisas que não lhe ficariam mal se ainda fosse membro do MRPP.Tal o alinhamento com a oposição mais à esquerda.
Claro que o sentido do que dizemos acima não é criticar o presidente da comissão europeia pelo que disse em termos literais, antes pelo contrário estamos completamente de acordo, achamos mesmo que a não ser correta a “narrativa” será porque ainda tenta esconder as evidentes asneiras desta política económica, admitindo que até pode ser acertada.
Ler aqui o que diz Barroso
Veio hoje em pés de lã o Sr. Durão Barroso, dizer que esta política de cega austeridade é impossível de implementar e que embora os tecnocratas e técnicos da econometria e das folhas de Excel, digam que este é o rumo certo economicamente, não sabem como implementá-lo nas sociedades e nomeadamente nos países. Não sabem nem podem saber, nunca ninguém o fez sem uso dos mecanismos cambiais e nunca foi feito dentro de uma união económica com vários países, sem união bancária e sem uniformidade fiscal. Esta atitude aplicada aos periféricos pode eventualmente funcionar para a Irlanda que nunca teve um problema económico, apenas tinha problemas no setor bancário, mas nunca para os outros.
A nós parece-nos que baixando o PIB, e mantendo deficits, cada dia mais nos afastaremos da possibilidade de pagar. Mas para piorar toda a situação, a política de consolidação gera desemprego e baixa a receita do estado logo mais deficit, o que implica imediatamente mais dívida.
Não é por isso uma questão social ou política que impede a aplicação destas tecnocráticas e experimentais medidas, é mesmo a questão económica. Essa e só essa, porque não funciona e agrava todos os problemas que pretende corrigir, é que leva a que as pessoas não aceitem a sua aplicação, é o empobrecer das pessoas que gera a impossibilidade social e política.
Mas não era necessário ser muito inteligente para o ter percebido, bastava olhar para a Grécia com a devida adaptação temporal para o entender. Mas o que preferiram e ainda preferem hoje os nossos governantes? Demarcar-se da Grécia e colar-se à Irlanda, numa hipócrita e bacoca tentativa de enganar os mercados e os credores, convencendo-os de uma realidade que não existia nem existe.
Sempre o dissemos em relação à Grécia e agora dizemos o mesmo para os espanhóis que dizem que não são os portugueses, efetivamente não são os portugueses, mas em termos de finanças públicas são iguaizinhos a nós e aos gregos e aos italianos. Efetivamente têm economias mais fortes, mas também os números são outros e as contas não estão ainda tão claras como as nossas e as gregas. Se a política da UE não mudar, ficarão na nossa situação e ainda pior no que respeita ao desemprego.
Temos dois caminhos, um mais europeu, outro mais nacionalista, para tentar ultrapassar esta terrível situação:
1º — A europa mudar de paradigma de união, construir a união bancária, instalar a uniformização fiscal e criar endividamento com risco comum, as tais eurobonds ou lá como se chamam. Garantindo assim uma taxa de juro, nos mercados, que só por si quase anularia o deficit, poupando ao nosso orçamento mais de 5MM€ por ano se a taxa fosse a da Alemanha. Situação que permitiria anular a parte remanescente do deficit pela via da receita pelo crescimento económico daí resultante. Tudo até sendo possível baixar os impostos e aliviar a sobrecarregada classe média.
2º — O caminho mais nacional será, o nosso governo, aceitando as dicas dadas pelo Eurogrupo, pelo FMI e agora por Barroso:
Renegociar sozinho com os credores, várias medidas que permitam pagar a divida e ao mesmo tempo manter as finanças públicas a funcionar. Como será isso possível? Baixando os juros anuais para metade, obter um período de carência para as amortizações do stock de divida, dilatar os prazos de pagamento para um universo temporal de 35 a 40 anos.
Rapidamente o governo aplicar medidas que combatam o desemprego e primordialmente estanquem as insolvências das empresas, principal razão do desemprego. Isso faz-se injetando dinheiro nas empresas e como contrapartida obrigando-as a contratar pessoal.
Para que as empresas necessitem de mais pessoas será necessário dar algum poder de compra aos mais desfavorecidos, aumentando as pensões mais baixas e o salário mínimo de forma significativa. Em ambos os casos nunca menos que 20%.
Pode ainda ser um novo resgate (só do FMI) a forma de resolver este problema da dívida, mas de montante capaz e prazos enquadráveis nas nossas possibilidades, bem como com taxas de juro indexadas ao crescimento ou ao aumento das exportações.
Supomos que tal negociação se poderá fazer por via direta com estados com liquidez para afastar os mercados desta equação, pois estes têm um voraz apetite pelo lucro a qualquer preço. Dever-se-iam cobrir por estes novos empréstimos os pagamentos a fazer mais brevemente, contratando-os por prazos dilatados da ordem dos atras falados.
Estas medidas de austeridade ao mesmo tempo em todo o lado, cumulativamente a tentativa de todas as economias mundiais fazerem das suas exportações o motor para equilibrar as finanças próprias e ainda a diminuição das importações como equilíbrio das balanças de transações com o exterior, levou a esta indescritível situação em que a europa se encontra.
RESTA-NOS AVANÇAR POR UM DOS CAMINHOS, OU COM A EUROPA NO EURO COM A MUTUALIZAÇÃO DA DIVIDA, OU FORA DO EURO E DA EUROPA PELOS PROCESSOS ENUNCIADOS.
O MEDO DO DEVIR E O MANTER DESTE CAMINHO DE EMPOBRECIMENTO APENAS NOS LEVARÃO A UMA SITUAÇÃO PIOR QUE A QUE TEMOS.

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