Diário

Passos Coelho e as suas atitudes de caráter.

Hoje foi de novo dia de debate quinzenal no parlamento, contou com presença do primeiro-ministro e mais uns caladitos acompanhantes, o sabedor de geografia RELVAS ( 5 regiões= norte/centro/sul + algarve e alentejo), e dois secretários de estado para compor a tribuna.

Numa coisa são inatacáveis, chegam sempre antes da maioria dos deputados e às 09:59 horas estão na sua tribuna e prontos a debater, coisa que uns desrespeitosos deputados, por vezes mesmo a presidente da assembleia, não fazem, chegando atrasados e desrespeitando frequentemente o governo.
Tirando o aparte da pontualidade, em todo o resto é o governo que desrespeita toda a gente, desde os deputados ao povo e aos membros da concertação social. Trata com sobranceria os deputados da oposição, pois aos das bancadas que suportam o governo trata com candura própria de quem deve altos favores. Também estes últimos se colocam sistematicamente em apoio das medidas do governo e em clara falta de respeito pelo povo que os elegeu, já que este governo tem tratado a maior parte dos eleitores como simples cofres a ser extorquidos.
São lamentáveis os espetáculos a que somos sujeitos sempre que escutamos ou vemos na televisão as discussões/interpelações entre o governo na voz do senhor primeiro-ministro e os deputados. Frequentemente vemos com tristeza a falta de elevação e de honestidade que tanto uns como outros colocam nas demagógicas frases, quase feitas, que usam para retorquir as opiniões dos adversários.
Hoje o caso mais caricato, foi o do senhor primeiro-ministro dizer que não vai plasmar em lei a obrigatoriedade de aumentar o salário mínimo. Não sei se terá algum interesse subterrâneo, ou se terá já contratado com alguém um futuro emprego, nalguma empresa de algum multimilionário que tenha uma percentagem alta de ganhadores do salário mínimo nas suas fileiras de pessoal. Dizemo-lo porque se patrões e sindicatos estão de acordo até no valor de aumento para o novo salário mínimo, a única parte a opor-se é o governo, coisa que entenderíamos se houvesse muitos milhares de funcionários públicos a ganhar esse vencimento, mas não há e os que há provavelmente vão ser obrigados a rescindir amigavelmente. Passarão como voluntários à força, a amigáveis aceitantes da rescisão.
Por mais que tentemos, não conseguimos alcançar o sentido da medida, se ela não for dirigida a poupar uns milhares de euros a alguém ou então uma questão do perigoso foro ideológico, e o pior disto, é que nos parece que a ultima é mesmo a única razão. Entrámos no perigoso das razões ideológicas que são já conhecidas noutros tempos e situações. Nada de bom resultou desses tempos ou situações para os mais pobres dos trabalhadores. Afirmou ainda o senhor primeiro-ministro que o governo não vacilará porque é um governo com carater e determinado em executar as suas politicas, como tal quer é despachar a moção de censura rapidamente, essa moção anunciada pelo PS,mas que nem deu ainda entrada no parlamento e nem está agendada,. Atitude reveladora de claro desnorte e falta de preparação para governar.
Podiamos ainda falar das contradições entre o primeiro-ministro e o ministro das finanças, desta vez ausente, estará ainda a digerir os efeitos amargos da 7ª avaliação da Troika. Decidam-se e falem a uma só voz e digam-nos se o memorando está mal desenhado ou mal calibrado. Para quem não quer reduzir a questões semânticas as discussões, até que estão no bom caminho. Em bom rigor, nem estará mal desenhado, porque não é um desenho, nem mal calibrado, porque não é uma máquina ou instrumento que se calibre. Ao menos ilustres senhores doutores usem as palavras corretas para a situação. É uma ferramenta contabilistica e como tal é quase só matemática, quando muito teria pressupostos errados e logo erros de calculo. Assumam que não sabem prever e nem fazer contas, é tão só isso.
Se o governo necessita, como de pão para a boca, de impostos, como pode recusar um aumento de receita? Aumento de receita que ao mesmo tempo favorecia os beneficiários do salário mínimo, não incomoda as associações patronais e contenta os sindicatos. É preciso ter um primeiro-ministro um bocadito inapto para não concordar com isto. Mataria uma serie de “coelhos” com uma só cajadada. Será por ser matar coelhos que não aceita? Ou será apenas no meio da contestação que se sente bem? Com essa medida claramente retiraria capacidade de reivindicar aos sindicatos, sem com isso incomodar os patrões. Que inepto governa, que não aceita isto? Mas sempre diz que quem dos patrões quiser aumentar que o faça unilateralmente e assim sente-se desresponsabilizado de uma medida que em teoria acha que fará mal à competitividade. Deve achar que esses abastados ganhadores do salário mínimo, irão gastar esse dinheiro em viagens ao estrangeiro, só pode. Porque de outra forma esse valor de aumento irá aumentar o consumo interno e estimular a economia, no limite aumentará as poupanças, coisa em que não acreditamos, pois esta gente do salário mínimo mal tem para comer.
Também a oposição poderia e deveria ser mais assertiva na contestação e na apresentação de factos, em vez de tentar atacar pessoalmente o primeiro-ministro. Não faltam factos perturbadores e contradições entre práticas e discursos por parte do governo. Não faltam previsões erradas, não faltam más execuções orçamentais, não faltam metas por alcançar nem falta a violação da constituição sistematicamente, como se verá na sentença do TC quando sair. Se forem inconstitucionais as questões em apreciação, será o segundo orçamento, em dois note-se, a ter inconstitucionalidades, sim o do ano passado já tinha, mas os juízes a bem da coisa pública sentenciaram, é inconstitucional mas vai ficar. Estranha coisa, se eu fizer um roubo um dia destes, será que no julgamento podem dizer-me: roubaste, mas pronto fica lá com o produto do roubo e não faças mais isso?
TRISTES ESPETÁCULOS ESTES DESTA GENTE QUE DEVERIA DAR EXEMPLOS DE EDUCAÇÃO E HONESTIDADE.
ENSINOU-NOS O SR. PRIMEIRO-MINISTRO, QUE NÃO É FUNCIONÁRIO PUBLICO E QUE POR ISSO NÃO PODE RESCINDIR. TÊ-LO-Á DITO COM PENA DE NÃO SER E POR ISSO NÃO PODER RESCINDIR, OU ACHINCALHANDO OS FUNCIONÁRIOS PUBLICOS?

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