Diário

Sócrates e o regresso ao comentário político.

Sabe-se desde o princípio da semana que José Sócrates vai voltar a Portugal e ao comentário político na RTP. Goste-se ou não, cá o vamos ter a entrar em nossas casas semanalmente.
A mim agrada-me a liberdade de imprensa e nem sou dos que acha que não devemos pagar na RTP com o dinheiro dos contribuintes a um senhor que segundo alguns levou o país ao caos. Sei que em termos de audiências vai ser bom para a RTP e como tal foi uma jogada de mestre em termos de estratégia comercial. Depois há uma serie de teorias que podem ou não ser verdadeiras e como tal não lhes damos muita importância, admitimos apenas que tenha sido convidado e não se impôs a ninguém.
Sei que o homem já está a incomodar e a espicaçar muita gente e acho que com uma abrangência de cores politicas nada normal, talvez os mesmos que chumbaram o PEC IV. Diga-se que os mais críticos são o pessoal de direita mas que são quem o contratou, ninguém deve acreditar que o homem vai para a RTP sem a concordância do governo e do ilustre ministro Relvas. Criticam também os de esquerda, como já antes criticavam acesamente o governo dele. Mas também tem apoiantes, ao que parece em percentagem reduzida comparativamente com os detratores, como se pode constatar pelas petições a circular.
http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=71618
Hoje o Sr. Marques Mendes, também ele comentador, na boa linha de astrólogo, vem desenvolver mais uma teoria em jeito de adivinhação. Nem queremos contrariar, pode ser que até tenha razão. Mas diz que o homem vem para a televisão para limpar a imagem e para se candidatar a presidente da república. Este senhor ou acha que ele Sócrates, se lhe deixarem pode e tem argumentos para justificar o que fez como primeiro-ministro, ou acha que os portugueses são uma cambada de burros que se vão deixar convencer por ele, reabilitando-o.
No primeiro caso, seria a falência das teorias de Marques Mendes e das dos membros do seu partido, e ele demonstrará que não foi o culpado do que aconteceu ao país, já no segundo caso, o homem crendo que Sócrates era o demónio da nossa condição, e a conseguir reabitar-se, os portugueses são uma cambada de totós e deixam-se enganar com facilidade. Aceite-mos que nem uma nem outra teoria lhe darão boa crítica a ele, Marques Mendes.
Há também os teóricos que defendem que esta é uma estratégia de Relvas, para arruinar a RTP e assim mais facilmente vender a televisão pública aos angolanos, ao mesmo tempo arranjou um motivo de distração para a malta não continuar a bater no governo e atirando a fúria a novo alvo, o demoníaco Sócrates. São todas boas hipóteses mas apenas isso.
Depois há os que são contra porque julgam o homem culpado da triste e infeliz condição de vida do povo português, há os que são a favor porque gostam do estilo do homem e até gostaram da sua governação, não fundamentando, ambas a facções, as suas escolhas em razão que não seja do foro emocional e intuição pessoal.
Remata-mos nós também com a nossa teoria, e que mais não é que isso mesmo, pois nem sequer tem na sua génese nenhum conhecimento privilegiado. Se estamos num país livre, democrático, sem censura e com sã concorrência como reguladora do mercado, no caso o televisivo. Porque raio, deveremos limitar ou condicionar uma escolha de uma direção de informação de uma empresa de televisão, apenas porque ainda é de capitais públicos?
Será apenas esta mais uma opinião. Certamente a experiencia de Sócrates trará mais uma faceta ao debate político e isso apenas nos parece bom, ao mesmo tempo deixará o homem dar a sua versão dos acontecimentos e logo julgaremos “sabiamente” dentro das nossas competências, se ele tinha razão ou não.
POIS DEIXEMOS O HOMEM FALAR SEM BOICOTES, DEIXEMO-LO JUSTIFICAR AS SUAS POSIÇÕES E JULGUEMOS DEPOIS.
SE QUEREMOS BOICOTAR DE UMA FORMA ADEQUADA, PODEMOS SEMPRE NÃO VER O SEU COMENTÁRIO POLÍTICO, MUDANDO DE CANAL OU DESLIGANDO A TELEVISÃO.

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