Diário

O Papa Francisco e a sua simpática atitude.

Este Papa apresenta-se de uma maneira tão frugal e humilde, que faz quem lhe prestar atenção, ainda que não católico, quase sentir-se obrigado a admirá-lo. Além disso empresta uma boa disposição e simpatia que conquistam qualquer pessoa.
Devo dizer que embora de esquerda em termos políticos, sou católico de formação e educação embora muito pouco celebrante e pouco participador em manifestações de religiosidade. Mas a bem da verdade devo dizer que acredito numa entidade superior que rege os destinos do universo. Será falta de pragmatismo? Talvez, mas creio que já não mudarei.
Entendo depois que da mesma forma que defendo um modelo político que não acredita naquilo que eu acredito em termos religiosos, os meus correligionários de crença podem não entender esta minha dicotomia, a esses digo que a entendam como um pecado e eu serei então católico pecador. Quem não o será? Cada um por suas razões, ou porque usa o preservativo, os métodos contracetivos, porque não cumpre alguns dos mandamentos ou das obras de misericórdia. Cada um terá os seus pecados, entendam-me pois a mim nessa linha de pensamento e estará o caso arrumado.
Aos outros correligionários mas da minha linha política e não crentes direi que, tirando a questão metafisica do assunto, em termos de distribuição da riqueza e respeito pelo Homem, a filosofia católica é a que mais se aproxima da ideologia de esquerda que defendemos. Basta ler o catecismo para o perceber sem dificuldade. Além de mais estamos todos, na civilização ocidental, muito próximos em termos de valores civilizacionais, pois a nossa sociedade rege-se por valores que assentam claramente nas filosofias judaico-cristãs, para definir o bem e o mal, o certo ou o errado e a interação entre os seres vivos existentes na terra.
Depois desta explicação que não podia deixar de fazer para ficar de bem com a minha consciência, passarei a dissertar apenas acerca do que entendo deste Papa e do que creio ser a sua vontade em termos de alguma mudança na Igreja Católica enquanto instituição.
A atitude de Francisco, nome já de si revelador da mensagem que quer transmitir, é bem diferente da maioria dos seus antecessores na cadeira de Pedro. A atitude de grande humildade que demonstra, o sorriso que faz a toda a gente, o ar de tranquilidade que deixa transparecer, a facilidade com que fala das outras religiões e quer aproximar-se delas, a atenção e as palavras que tem dirigido aos mais pobres ou fragilizados por outro motivo qualquer. Agora mais recentemente a atitude e as ações que tem praticado nas celebrações desta Pascoa, tudo são indicações de que na estrutura da Igreja Católica existe gente de qualidade, praticante e adepta do bem.
Cremos que não será alheia à sua prática a sua experiencia enquanto membro da igreja nos patamares mais baixos da hierarquia, o ter sido pároco e o lidar com muita gente pobre no seu dia-a-dia, na empobrecida Argentina. Talvez mesmo não seja alheia a esta sua atitude o ter entrado tarde para a vida religiosa e ter convivido entre a população comum enquanto jovem, tendo assim entendido os anseios das pessoas que não fazem parte da estrutura da Igreja Católica.
Apresenta-se como muito possível que faça do seu papado, uma lufada de ar fresco na por vezes pouco renovada atmosfera da estrutura eclesiástica e promova assim algumas renovações que cada dia mais pessoas reclamam. Parece bem capaz de fazer algumas ainda que se tenha de compreender que não se fazem revoluções numa estrutura como a Igreja Católica, as mudanças têm de avançar devagar. As igrejas são estruturas dogmáticas, nem podiam ser outra coisa, como tal não se pode dizer amanhã que tudo o que defendíamos até hoje está errado. Isso é coisa de políticos e apenas daqueles pouco sérios, não pode ser esse o funcionamento de uma instituição religiosa.
Na Igreja Católica o tempo corre devagar, têm os católicos a obrigação de entender que o tempo da Igreja é mais lento que nas outras instituições menos dogmáticas e as mudanças são por isso muito mais alongadas no tempo. A igreja nunca acompanhará em termos temporais as mudanças da sociedade, precisa de mais tempo para refletir sobre as coisas e burilar os dogmas sem os desmentir de um dia para o outro.
Talvez por isso as seitas cristãs que pululam por aí, vindas do Brasil sobretudo, crescendo de uma forma assustadora, tenham o sucesso que têm, dão de barato o que o cidadão comum quer ouvir, como é fácil o caminho nesse universo, pois os dogmas são mais ligeiros e os pecados menos, a aderência dos menos fortes de espirito torna-se facilitada e é até apelativa.
A atitude despojada, humilde e simpática do Papa Francisco, torna-o um homem capaz de cativar as pessoas de todos os quadrantes religiosos e fazem dele uma pessoa talhada para promover entendimentos alargados dentro e fora da igreja, além de impedir a transferência de alguns católicos para as tais seitas faladas atrás.
Diz que deve a Igreja Católica colocar-se ao serviço dos pobres e mais desprotegidos, refere-se a estes em todas as suas missivas e intervenções, apela ao perdão, à tolerância e pede que os católicos respondam ao mal com o bem. Imaginamos que não há ninguém de boa-fé à face da terra que não tenha de concordar que estes apelos são belas indicações.
Gostamos também muito da forma simples e acessível como constrói as suas comunicações aos católicos e não só, a todos quantos o escutam. Tem um discurso desconstruído, de compreensão fácil para os menos eruditos, sendo estes uma grande fatia da população que diz querer preferencialmente ajudar.
GOSTAMOS DELE E DA SUA ATITUDE, ACHAMOS MESMO QUE PODE ATÉ SUPERAR EM TERMOS DE ADMIRAÇÃO O ENORME JOÃO PAULO II.
PARECE-NOS ASSIM QUE O ESPIRITO SANTO, PELA MÃO DOS CARDEAIS, FEZ UMA SOBERBA ESCOLHA.

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