Diário

Mas o que estranha agora Passos Coelho?

Hoje ao ouvir Passos Coelho com um ar meio irado a terminar as negociações com o PS com o argumento rasteiro de que o PS estava a sujeitar o ganhador das eleições a uma atitude de chantagem e admitindo que não quer governar com o programa dos socialistas, fui procurar coisas ditas por si.

Ora vejamos o que encontrei:

Uma entrevista ao SOL onde previa o não entendimento com o PS…

O que estranha este senhor agora? Porque coloca aquele ar de virgem ofendida na sua honra e porque acha que a solução tem de passar por ele em minoria quando antecipava que essa solução era impossível?

Tenho de admitir que nunca fui um apoiante de António Costa mas que tenho visto nele preocupação em criar uma solução de governo e uma capacidade mobilizadora da esquerda que nunca tinha visto em nenhum membro do partido socialista. Essa capacidade é agradável para muita gente que pensa à esquerda e em democracia… O trazer do PCP para para a viabilização de uma solução que derrote as politicas de direita, austeritárias e de empobrecimento de uma parte significativa dos portugueses é uma capacidade que se tem de elogiar de sobremaneira.

Antevejo a atitude teimosa de Cavaco na nomeação de Passos Coelho para tentar formar governo e possivelmente a apresentação de uma ou mais moções de rejeição que terão muitas hipóteses de ser aprovadas, inviabilizando assim esse governo e colocando Portugal longe daquilo que sempre disse o PR defender, uma maioria que proporcione estabilidade governativa. Juntará a essa manutenção da instabilidade um certo apalhaçar da democracia, indigitando um PM que sabe que não tem a mínima hipótese de ser governo e que cairá assim que tente aprovar um programa de governo na AR… Sobretudo porque de seguida não pode dissolver a AR por prerrogativa constitucional e ou coloca o país a ser governado sem orçamento ou terá então depois de chamar a formar governo o PS de António Costa numa atitude de perda de tempo e descredibilização da democracia e da politica.

E nem sequer vale a pena certos opinadores virem dizer que os portugueses não votaram nesta possibilidade porque o PS criticou acesamente os partidos à sua esquerda já que isso não é diferente de o PSD e o CDS terem governado nessa mesmissima condição na anterior legislatura, vejam-se os debates entre Passos e Portas para as eleições de 2011 e o que se atacavam um ao outro.

Se uma solução de governo é constitucional e legitima, não pode haver tradição que justifique o tal apalhaçar da democracia ou que esta incompetente presidência da república, previsivelmente, nos sujeite ao teimar em indigitar um governo que sabe que não passará na AR e que depois manterá em gestão até que chegue um novo PR numa atitude de indecente desfaçatez e teimosia de proteção partidária.

Por não percebermos que em tempos ruins e de duvidas governativas: Todos os males são bons, se nos livram de um mal maior. Também por sermos um povo manso e pouco sabedor politicamente, medíocre nas escolhas e fácil de manipular, se calhar temos o Presidente da República que merecemos e temos e teremos o Primeiro-Ministro que merecemos.

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