Diário

Cristãos sem humanidade

Comecemos por dizer que somos de discutir ideias e muito pouco de discutir pessoas e suas atitudes, até porque quase nunca conhecemos todas as nuances de um caso, mas nesta situação em particular vamos atrever-nos a opinar de acordo com o nosso sentido de humanidade.

A acreditar nas notícias, que diga-se não são da melhor proveniência, Nuno Magalhães deputado do CDS-PP e líder parlamentar, estará envolvido num processo judicial no tribunal de menores. Tal processo foi, no seguimento da lei, acionado automaticamente porque a mãe de um menino que já tem cerca de 4 anos, quando o registou não indicou nome do pai.

Não sei em que reside a dúvida, não sei quem já conhece os resultados dos testes de paternidade mas sei que o tribunal acabará por decidir de acordo com a lei, independentemente dos atrasos e das dúvidas que por vezes surgem das interpretações dadas pelos juízes dos tribunais de menores e pelas prerrogativas que a lei confere a tais juízes.

O que de todo não compreendo é que uma criança, viva até aos 4 anos sem saber quem é o seu pai… Claro que a culpa será de todos mas não da tal criança.Como pode alguém que se diz cristão, permitir tal coisa durante tanto tempo? Porque diz que assumirá as responsabilidades que o tribunal determinar?

Não sei o que deveria fazer o Sr. Nuno Magalhães, mas sei o que eu faria na sua condição… Perante a dúvida, requereria ao tribunal a analise no instituto de medicina legal, e perante os resultados, se positivos, quereria imediatamente exercer os direitos e deveres de pai, independentemente de todo o resto da envolvente… Não, não esperaria pela decisão do tribunal que chegará tarde pela demora do sistema judicial. O cumprir a lei, pode ser pouco quando a situação é amor e relacionamentos entre país e filhos… Confesso não conhecer pormenores do caso, mas depreendo que até a decisão final do tribunal não assumirá a paternidade ou o caso não faria sentido. Que tipo de relacionamento terá com a criança e em que condições?

Bem sabemos que existem situações entre adultos tremendamente discutíveis, indecentes até, mas as crianças têm o direito à verdade, independentemente de tudo o que se passe antes e depois entre os adultos progenitores e que certamente irão condicionar a vida futura da criança. Mas o que levará uma pessoa a perante a dúvida, e depois a certeza, não querer ser pai? Serão razões económicas, serão de ordem familiar? Nenhumas são aceitáveis no nosso entender…

Mas sabemos porque pensam assim as pessoas e em que ideologia política militam. Porque são de direita, logo colocam o seu bem-estar acima de tudo, querem ter o mínimo de gastos e sentem vergonha dos seus erros e mais que tudo sentem vergonha da sua condição de humanos, que enquanto tal fazem coisas impelidos pela humanidade e que nem sempre respeitam as regras instituída pela sua ideologia ou religião…

Gente que deixa que valores morais discutíveis se sobreponham ao que deveriam ser valores fundamentais, a defesa intransigente dos nossos filhos e o querer colaborar no seu crescimento, será sempre gente que nada de bom trará ao mundo. Já pelo contrário trará egoísmo e avareza, mais ainda quando se julgam catequistas e ocupam lugares de visibilidade pública.

Se elegemos gente desta natureza para deputados, temos a Assembleia da República que merecemos.

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