Diário

Os carneiros aceitantes da desgraça, o Henrique Monteiro e o Satanás.

Tinha em tempos prometido a mim mesmo não comentar ditos ou escritos, de gente à qual não dou muito crédito, precisamente por a sua opinião não valer rigorosamente nada mais que a minha.
Mas perante tal catequese bacoca de alguns pseudocomentadores políticos, que não sabem nada de contas, tenho de me insurgir. Não serei mais ligeiro nem pior catequista que eles.
O que vou escrever vem no seguimento desta crónica da qual indico link, posso de todo garantir, que embora seja Jesus de nome, não escrevo em defesa da honra do menino Jesus que o cronista traz ao titulo da sua crónica.
Henrique Monteiro “in Expresso”
Ora vejamos o que acho que a fundamenta, além claro está da leitura de uma outra crónica/artigo de um outro conformado.
Fundamenta este senhor a coisa no discurso, dito pelo Rei da Holanda, que nos deixou entender com clareza uma coisa nova, pelo menos para mim, e é que o rei sabe ler um papel escrito e pensado por outros. Sim porque até aí raramente tinha ouvido sequer falar do rei da holanda.
Já da holanda sempre ouvi falar, desde que sistematicamente nos foram roubando desde a era dos descobrimentos, com esses tais de corsários, nome pomposo para ladrões/piratas. Agora também ouço falar muito desse simpático país, roubado ao mar, porque se transformou em sede de muitas empresas criadas com dinheiros portugueses, com divida de Portugal e com contração de dívidas na banca portuguesa. Mas não reconheço à Holanda, por ter três empresas de nome, ou prostitutas na montra, ou bolinhos de haxixe nos cafés, que nos ditem como fazer e que o que antecipam seja correto. Para não falar do ilustríssimo presidente do Eurogrupo, holandês, que até inventa mestrados, que depois de descoberto, tem de retirar do CV, coisa pouco abonatória, mas se perdoo a Sócrates e a Relvas isso, também lhe desculpo a ele, já que são fraquezas de somenos.
Como sei que existem muitos cidadãos que não sabem nada de contas, ou sabem pouco, e se acham bons demais para terem de se preocupar com isso, ficam-se apenas por umas frases relativamente bem construídas e que são transportadoras de uma mensagem falsa de que o sistema social-democrata não é sustentável, é o caso do Henrique Monteiro, que o faz muito ligeiramente, sem a menor duvida.
A título de brincadeira, aligeirando as contas, digo o seguinte: Para viver-mos com dignidade, sem quebrar os contratos intergeracionais, nem o estado romper os contratos com reformados, pensionistas, pobres e funcionários públicos, enfim não causar inconstitucionalidades, precisaríamos para não gerar deficit, algo como 80 MM€. Algo a rondar os 45% do PIB de 2010 ( aprox 173MM€ ), que diga-se é muito e representa um esforço enorme sobre as finanças dos portugueses. Ou então, bem o sei mudar a constituição, desiderato de alguns sentados nas bordas da finança.
Como temos tido deficits, entre 5 e 10% do PIB, portanto 8MM€ a 17MM€ precisaremos de aumentar o nosso PIB em cerca de 25 MM€, ou seja 14% do PIB de 2010, para sem aumentar impostos ou sem promover cortes na despesa publica, equilibrar a coisa do orçamento e não gerar mais divida. Isto tudo para não mexer no estado social de 2010.
Agora para abater a divida, não podemos só ser equilibrados em termos orçamentais, temos que gerar excedentes. Onde os poderíamos ir então buscar?
Em vez de ir buscar ao bolso do contribuinte com emprego, que são cada dia menos, causando uma baixa significativa na receita das finanças e segurança social, que como já se viu causa enorme contração do PIB, gerando enorme desemprego, devemos talvez ir a outro sítio.
Ora se as despesas com pessoal, pensões e apoios sociais, representam 75% da despesa publica ( aprox 57MM€ ) sobram 25% do orçamento ( aprox 23MM€ ) , se deste valor renegociar-mos os juros da divida e poupar-mos 1,5MM€ ou mais, se renegociar-mos a PPP e poupar-mos 1,5MM€, se baixar-mos a renda ao setor elétrico e poupar-mos 500M€, se extinguir-mos umas dezenas de Institutos e reintegrar-mos os funcionários em estruturas onde sejam necessários, pouparemos mais uns milhões, se baixar-mos o desemprego, também pouparemos mais uns milhões e arrecadaremos mais uns milhões por incobráveis nas empresas que não falirão se o consumo interno aumentar.
Para tal tem de se encontrar uma forma de as financiar devidamente, as empresas com dificuldades, ou proporcionar-lhes pagamentos prestacionais exequíveis. Estas empresas mesmo que só paguem um ou dois meses e depois vão para a falência, ou voltem a deixar de pagar, já proporcionaram aos cofres do estado valores muito significativos, por isso risco zero de perder por parte do estado.
Esta legitimação do empobrecimento, esta aceitação de que ainda que o PIB mundial aumente, temos de nos tornar mais pobres, esta coisa de dizer que temos de ser como o Bangladesh ou a Indonésia para crescer, dá-me vontade de rir, sobretudo vindo de quem beneficiou em termos líquidos da despesa do estado e dos deficits enormes da década de 80 e 90, coisa que fomos todos os que hoje têm entre 30 e 50 anos de idade. Sim, tivemos vacinas, tivemos escola até tarde para todos, tivemos universidade para quem quis estudar, tivemos um SNS de qualidade. Mas isso já passou bem o sabemos, mas atenção, vamos dar aos nossos filhos o que tiveram os nossos pais ou avós, é bom que se lembrem, no caso de aceitar-mos a teoria do Henrique Monteiro.
Agora onde entra o satanás nisto tudo, tal como entrava o menino Jesus, é que se quisermos, podemos e devemos alterar as coisas, devemos deixar de prestar vassalagem e adoração ao tal satanás, que é nem mais nem menos o mundo da alta finança e a banca mais poderosa, nem é a banca caseira, essa já tem em termos de contas a situação do País e todos os anos tem de despedir e continua a dar prejuízo, só que esse nós temos vindo a pagar, por enquanto. Estão pobres já, só que ainda não deram conta.
Pois os que como o Henrique Monteiro, não querem acreditar no menino Jesus, acreditam no poder do tal satanás, que confessemos não é menos metafisico que o menino Jesus.
Se é para empobrecer o país, criar miséria e mendicidade, trabalho quase escravo, gente carenciada sem nenhum apoio social e milhões de jovens emigrantes, prefiro que seja tudo de uma vez. É que depois o caminho é sempre a crescer, sim tal como esse resto de mundo associal e escravizador, que esta gente defende como bom. Crescem mas apenas porque partem de uma base tremendamente inferior à nossa e escravizam as pessoas. Será isso que querem as pessoas da europa?? Trabalhar muito e passar mal?? Será essa uma condenação Satânica??
Pois se é para ciclicamente ser pobres e depois crescer, de forma sinusoidal, sem termos culpa nenhuma enquanto cidadãos, não nos deram opção de escolha dentro deste modelo económico. É a banca mundial e a alta finança a definir os caminhos, coadjuvados por um grupo de pacóvios a governar nos estados e contentes por viverem um pouco melhor que o resto dos seus compatriotas. Como tal a única coisa que podemos fazer é manifestarmo-nos e fazer greves provocando até o colapso com carater de urgência, será melhor um ano ou dois atribulados que vinte anos a minguar e definhar, quanto mais não seja pela parte anímica da questão.
Esta mentalidade bolorenta e vinda da ditadura, com frases do tipo: “bom é ser pobre mas honesto”, “temos de ser bem-mandados e excelentes trabalhadores”, “temos de ser frugais e até passar fome se for preciso”, “se não há dinheiro devemos contentar-se em apenas saber soletrar”, diziam ler e escrever, mas não era isso pois não entendiam o que faziam se fosse mais que assinar ou ler o nome de alguém.
RECUSO-ME A ACEITAR ISSO COMO REGRA, RECUSO-ME A SER CARNEIRO BEM-MANDADO, ANTES ROUBAR QUE SER DOMESTICADO, COMO É O HENRIQUE MONTEIRO.
PARA USAR UMA FRASE DE QUE GOSTO PARTICULARMENTE, DE UM ILUSTRE PORTUGUES, DIGO: “ALGUNS SÓ ENCONTRAM A VERDADEIRA LIBERDADE ATRÁS DAS GRADES DA PRISÃO.” EU E MUITOS SEREMOS DESSES.
Dinis Jesus
28-10-2013

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