Hoje, logo a um domingo, o nosso primeiro-ministro veio fazer uma comunicação ao país, em tom dramático, que apenas tinha como objetivos culpar o TC e fazer-se de vítima neste processo.
Não nos vamos alongar muito na conversa, pois achamos que nem vale a pena, de tal forma já é bem conhecido este discurso. Não trouxe nada de novo, aliás nem poderia trazer, que não seja a tentativa de justificação para mais um desvio colossal nas contas.
Perante os constantes falhanços do governo, o que nos diz este primeiro-ministro? Diz que este é o caminho e que teremos de continuar na linha do que até fizemos para não atirar fora todos os sacrifícios já feitos. Complementa ainda dizendo que agora, por culpa do TC teremos de ser sujeitos a mais cortes na despesa do estado, como tal a saúde, a educação e as prestações sociais vão ter de sofrer cortes. Mas isto não era o que já vêm dizendo há muitos meses, não seria isto que se pretendia com o corte dos tais 4MM€ na despesa do estado.
Não sabemos o que pensam estes senhores do governo, mas sabemos que não aprenderam a lição. Com mais cortes, mais receção, com mais receção mais desemprego, com mais desemprego, mais custos para o estado e menos receita, mais empresas a falir por baixar o consumo interno. Terão ouvido a expressão do presidente da república quando falou da espiral recessiva? Terá ele próprio entendido o que queria dizer com ela? Se entendeu não parece ao dizer que este governo tem de continuar a governar para cumprir os compromissos internacionais. Ainda que morramos todos aqui na lusa pátria, importante é cumprir os compromissos externos. Os do estado com os portugueses serão importantes? Entrarão nas cogitações desta gente?
O que será preciso para o presidente da república perceber que este governo não representa a vontade dos eleitores? O que será preciso para governantes e presidente, perceberem que este caminho nos deixará piores quanto mais tempo continuar a ser trilhado? Todos os indicadores apontam para isso, veremos a execução orçamental do 1º trimestre, chamo a atenção para que nela, a decisão do TC não tem influencia ainda, pois foi executada de acordo com o orçamento aprovado para 2013.
Veremos agora no final desta semana o que vai sair da tal reunião para discussão das maturidades dos empréstimos, mas não sairá nada de muito significativo e que altere o rumo que estamos a levar. Se não alterar-mos as políticas, no final do ano estaremos muito pior que hoje. Este caminho está a ser seguido há 4 anos com os resultados que se conhecem, mas o pior de tudo é que os enormes sacrifícios e desgraças a que estamos a ser sujeitos, não corrigiram em nada os problemas que levaram ao resgate. Todos estão piores, o deficit não baixa, a divida aumenta a um ritmo assustador, o PIB cai por três anos consecutivos, e a capacidade produtiva do país está a ser bastante abalada pela razia económica e social a que estamos a ser sujeitos. Quando muito ficaremos com mais tempo para pagar uma parte da divida, cerca de 30% e a que tem os juros mais baixos, mas não muda a quantidade em dívida e obrigar-nos-á a mais anos de pagamento de juros.
Só teremos um caminho para sair disto em que nos metemos, será colocar a economia a crescer acima dos 3% ao ano. Para isso este caminho de castigo e de ser bom aluno, tem de ser invertido. Deveremos renegociar toda a divida, como tal um segundo resgate pode nem ser mau, e organizar uma estratégia que permita crescer e baixar rapidamente o desemprego. Ninguém será capaz de pagar as suas dívidas se cada dia faturar menos e ao mesmo tempo tiver mais custos, como é o caso. A despesa cresce acima do que estava previsto pelo governo e a receita está abaixo do também previsto. Se a isso se somar cada dia mais desempregados e mais falências, não vislumbra-mos como possa ser possível corrigir a situação continuando neste rumo de cortes em cima de cortes e austeridade em cima de austeridade.
Creio só haver uma solução possível, renegociar a totalidade da divida para 30 ou 40 anos e com uns juros “cristãos”, algo indexado ao crescimento ou às exportações, mas nunca mais que 2,5% ou 3%. A haver um novo plano de resgate, será bom que permita este tal alargamento, as metas de diminuição do deficit não poderão ser mais duras que 1% até aos 5% de deficit e daí para baixo não deverão ser mais que 0,5% ao ano para que se faça o ajustamento sem colapsos sociais e sem destruição do tecido económico, se é que ainda será possível recuperá-lo depois de tamanha destruição a que foi sujeito.
PODIA TER DADO UMA BOA NOTICIA AOS PORTUGUESES O SR. PM, MAS NÃO QUIS E NÃO SE DEMITIU. TAL ATITUDE É QUE SERIA UM BOM SERVIÇO PRESTADO AO PAÍS, NINGUEM OS CONSIDERARIA TRAIDORES, PARECE QUE ALGUNS MEMBROS DO GOVERNO ESTAVAM COM MEDO DE SEREM ASSIM ENTENDIDOS.
EU, POR MIM NEM NUNCA APELARIA À SUA CONDENAÇÃO PELOS DANOS QUE CAUSARAM E PELO AUMENTO DA DÍVIDA PÚBLICA, SE SAIREM PELO PRÓPRIO PÉ. A INCOMPETÊNCIA NÃO DEVE SER CONSIDERADA CRIME.