Poesia

Explosão

 

Continência das vontades,
das mais puras e vivas vontades…
num forçado cumprir,
num torpe cumprir da vil educação.
Impedimento constante,
o de alcançar liberdade,
essa, de desfrutar do prazer,
esse, que traz à vida emoção.

Reprimir desejos,
fazendo-os sonhos secretos,
num camuflar hipócrita,
típico de seres incompletos.

Mas chegará um dia magnífico,
virá o aprender sozinho,
ou por olhar o outro,
e o castelo vai ruir.
Ao processo educacional,
a esse maldito, chegará a violação,
o querer ultrapassará barreiras,
será só desejo a fluir.

E esse mundinho, com a sua gente,
mais sua velha razão:
– Que se fodam, pois eu quero é sentir.

Sentir, sentir à séria,
em dolorosa,
em violenta,
em colorida explosão.

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Diário, Poesia

PARABENS

Para quem é linda obra
Antes e sempre bela e pura,
Rasgam-se os mais sentidos elogios
Auguram-se as mais belas condições
Boas disposições e rir de alegria
Em comemoração constante por viver.
Nasceu, há anos, neste dia a mais linda flor
Serena, doce e carinhosa, é para muitos um amor.

26/09/2016

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Diário, Poesia

Valeu a pena

Com voz serena – perguntaram-me ao ouvido
Valeu a pena – vir ao mundo e ter nascido
Com lealdade – vou responder, mas primeiro

Consultei meu travesseiro – sobre a verdade
Tive porém, que lembrar o meu passado
Horas boas do meu fado – e as más também

Valeu a pena – ter vivido o que vivi
Valeu a pena – ter sofrido o que sofri
Valeu a pena – ter amado quem amei
Ter beijado quem beijei – valeu a pena

Valeu a pena – ter sonhado o que sonhei
Valeu a pena – ter passado o que passei

Valeu a pena – conhecer quem conheci
Ter sentido o que senti – valeu a pena
Valeu a pena – ter cantado o que cantei
Ter chorado o que chorei – valeu a pena

Valeu a pena – ter vivido o que vivi
Valeu a pena – ter sofrido o que sofri
Valeu a pena – ter amado quem amei
Ter beijado quem beijei – valeu a pena

Valeu a pena – ter amado quem amei
Ter beijado quem beijei – valeu a pena

«Mário Moniz Pereira»

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Poesia

Vontades outras…

Levanto-me e penso loucuras
Dessas que a ninguém se dizem
Coisas boas, mas que outros afligem
Inquietantes de lindas mas vivas e duras.

Quero partir, quero beijar o sol e a lua
E todas as pessoas bonitas do mundo
Nesse solo da insanidade vou entrar fundo.

Pessoas mais loucas são mais felizes
Sem grandes prisões avançam pela vida
Tratam só de viver e desfrutar sem medida
Olham flores, só as coloridas com belos matizes.

Perante a alheia incompreensão e estranheza
Quero sensações no limite e prazer sem fim
E se a vida acabar hoje, vou dizer: foi uma beleza.

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Poesia

Sonhando…

No vento dos dias em que a vida me traz
moendo como grãos vontades estranhas
eu sonho proezas loucas de forma audaz
que quedam donas de minhas entranhas.
 
Sentindo desejos em segredos só nossos
já que o mundo não quer o livre sonhador
viriam duras palavras que gelam os ossos
matando a volúpia em seu doce esplendor.
 
Contendo a mordida pelo querer e não ter
avançam os dias cumprindo as obrigações
essas, que mesmo boas, parecem prisões.
 
Quero loucuras duras em violentas torrentes,
libidinosas catadupas de desejo e entusiasmo
quero vibrar, quero saltar e gritar de orgasmo.

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Poesia

Cântico Negro

“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.

Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

«José Régio»

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Poesia

Secretas passagens

Enclausurados pela “religiosa” educação
raramente vivemos como nos dá na gana
ousando pouco, só o que nos é permitido
passando assim pela vida sem intensidade
e no final, tristes, pensamos ter existido.

Há beleza nas viagens pelo imaginário
essas que se fazem belas dentro de nós
e nos levam a largar o diário marasmo,
partem sempre do lindo sonhar acordado
loucas e puras chegam ao violento orgasmo.

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Poesia

Um céu

São lindas as tuas palavras
calorosas belas e tranquilas
musica para nossos ouvidos
sempre tão doce é ouvi-las.

Tua companhia sabe a pouco
sempre zelosa e cumpridora
de beleza e nobreza sem fim
és mulher calma e tentadora.

Mantens simples tua figura
mesmo já andada a dura vida
levas a desejos com ternura.

Sorrir meigo, lindo e sedutor
leva ao querer menos razoável
era o céu de ti ser merecedor.

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