Poesia

Estranha forma de ser

Enunciado de defeitos.
Por animalescos seres,
Sempre usados……..
Para alcançar vontades e quereres
Em suas ações e pleitos.

Maldade
Falsidade
Indignidade
Hedonismo
Inconstância
Traição
Adultério
Egoísmo.

Desonestidade
Devassidão
Leviandade
Insensatez
Ligeireza
Fraqueza
Incultura
Estupidez.

Ruindade
Ardileza
Vigarice
Engano
Insanidade
Vilania
Ignominia
Fantasia
Devaneio
Covardia.
Outros ainda haverá ……..

Mentira e mais mentira, gentes traidoras.
Para justificar suas indignas atitudes,
Práticas injustas e castigadoras.
Com que fim? Só esconder as não virtudes.

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Poesia

Defesa dos lobos contra os cordeiros

(Tradução de Afrânio Novaes)

Deve o abutre alimentar-se de flores?
o que exigis do chacal?
que ele mude de pele? e do lobo?
que ele mesmo limpe os dentes?
o que não apreciais
nos coronéis e nos papas?
o que vos deixa perplexos
na tela mentirosa?
quem irá então costurar para o general
a condecoração sanguinária em sua calça?
Quem irá fatiar o capão diante do agiota?
quem irá ostentar orgulhoso a cruz-de-ferro
diante da barriga que ronca?
Quem irá pegar a gorjeta, a soma,
a propina?
Há muitos roubados, poucos ladrões;
quem então os aplaude?
Quem lhes coloca a insígnia?
Quem é ávido pela mentira?
vede no espelho: covardes,
que evitam a fadiga da verdade,
avessos ao aprender, o pensar
é deixado a critério dos lobos,
a coleira é vossa jóia mais cara,
nenhuma ilusão é tão estúpida, nenhum
consolo é tão barato, qualquer chantagem
ainda é para vós branda demais.
cordeiros, irmãs são
as gralhas comparadas a vós:
cegais uns aos outros.
a irmandade reina
entre os lobos:
eles vão em bandos.
louvados sejam os predadores:
vós, convidativos ao estupro,
vos atirais sobre o leito negligente
da obediência. mentis e ainda
soltais ganidos. quereis
ser estraçalhados. vós
não mudais o mundo.

Hans Magnus Enzensberger
(Poeta alemão.)

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Poesia

Incompreensão

Tormenta maléfica e ruim
Estranha sensação cá dentro
Impossibilidade total e castradora
Tem horas, que parecem o fim.

Maldosas gentes e ações
Causam esta dor tranquilamente
Servem seus escabrosos venenos
Como geniais e belas poções.

Não é compreensível o motivo,
Para tal razão plausível não há
Se desamores, odio ou raiva
Solte-se o coração cativo.

Porque se sujeitam outros ao sofrer?
Para quê causar tanto mal?
Com que fim se é tão egoísta?
Um dia perderão, pois hão-de morrer.

Vis e reles criaturas nos castigam
Atuam com maldoso rigor
Mentem e distorcem realidades
Aos estranhos aceitação mendigam.

Que se pretende com tal maldade?
Nunca serão para o comum entendíveis
Tais feios, abjetos e ínvios atos.
Para quando a vida com normalidade?

Talvez um dia se volte o sofrimento
Para quem agora é a sua causa
Avançará o tempo com sua lei natural
Dessa forma virá o eterno recolhimento.

Se não antes disso, nesse final derradeiro
Se fará a justiça para cada individuo.
Para os maus e injustos pedimos a Deus
Que para a morte avance em primeiro.

Antes do anunciado doloroso final
Chegarão seus dias de gemer e gritar
Tal como fizeram aos outros
Chegará sua vez de sofrer de causa animal.

Tresloucados e ignóbeis atos perversos
Maldades e jogos sem fim, barbaridades.
Aos ignorantes e incautos, das coisas
Apenas uma face sem reversos.

Perante tais atuações criminosas
Resta aguardar e tentar não perecer,
São verdadeiros golpes lancinantes
Ações feias castradoras e ruinosas.

Aceitar-se-ão mudanças e alterações
Mas acordadas e bem decididas.
Estas maldades e torturas causadas
Tornam estas gentes horríveis aberrações.

Nada de estranho afinal, não prestam.
Nunca antes prestaram,
Nunca em tempo algum prestarão
Seus atuais ou passados atos isso atestam.

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Poesia

Sete anos de pastor

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fôra assi negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: – Mais servira, se não fôra
Pera tão longo amor tão curta a vida!

Luis de Camões

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Poesia

Atividade poética

Existem artes que se não aprendem
São carga genética e dom natural
Uns mais brutos e de forma animal
Outros há, que são meigos e tranquilos.
Não valem uns mais que outros
Nas diferenças, virtudes inigualáveis
Se com entrega, prazeres formidáveis.

Para uns, as mais raras e radicais atitudes
Para outros, conservadorismo e normalidade
Todos têm razão se ao parceiro agradam.
Neste bom e normal ato, tudo vale sem ferir
O melhor dele acontece e ainda está para vir.

Parece que faz bem a tudo e mais
Tal preencher e completar dos sentidos
Ao corpo revigora trazendo muita saúde,
Melhor, a quem desta arte fizer amiúde.

Quando com o parceiro certo coisa divinal,
Com outro de ocasião, mau também não é.
Desde que a terceiros se não traia ou melindre,
Ou à nossa cabeça não faça qualquer dano.
Milhentas e diversas posições experimentar
O aceitável deverá ser o que a imaginação der,
Ao parceiro agrade e não deve ter limites,
Todos e mais uns, serão sempre bons palpites.

Na juventude mais pressa e mais vigor
Também menos experiencia e saber,
Ainda assim bom e intenso com toda a certeza,
Nessa idade todos os gestos têm maior firmeza.

Mais para diante na idade menos energia,
Seja pois então, com mais calma e sabedoria.

Na velhice, embora menos, pode ainda ser bom
Tem de ser mais conversa e menos atividade,
Mas não é por isso que perde a boa maldade.

Já certamente entenderam do que se fala
Tal é a nobre arte de ao outro e a si dar prazer
Sim é isso mesmo, corpos nus e bem colados.
Embora esta estranha conversa pareça sem nexo
Mais não é que a arte de fazer o tal amor ou sexo.

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Poesia

Liberdade 25

É uma bonita e singela palavra, sem ela desgraça total.
Mas será que liberdade é o que achamos ser, ou não?
Ou com essa situação confundimos, só, poder dizer mal.
Para a alcançar e obter é necessário padecer de prisão,
O jugo de alguns sofrer de vil forma e maléfico modo.
Será que disso nos poderíamos violentamente queixar?
Julgo que assim não seria, não era mais que incómodo.

De boas intenções, alguns de peito firme se lançaram
À tarefa de todos libertar, com canhões, mas sem disparar.
Bons homens, imbuídos de nobres vontades, marcharam
Rumo ao triunfo, ao antigo e carcomido poder destronar.
Hoje se verá que tal desiderato, alcançado não foi de perto,
Aos que detinham o poder apenas se juntaram outros
Assim para tal só é necessário ardil e ser muito esperto.

Uns se enriqueceram de forma estranha, ignóbil e criminosa
Outros governantes se tornaram sem qualquer preparação
O zezito de novo sofre como antes, só de forma carinhosa
O simples votar e mal poder fortemente dizer, alegra o coração.
Nada decide nem julga, tal o ruído causado por quem manda
Deste 25 muito se pode falar e dizer, não foi o que era para ser,
Após tantos anos de mudança, a coisa, ora anda ora desanda.

Em teoria soltos viveriam, mas não, e muito controlados são
Os que podem e mandam, deles sabem, decidem e tratam
É excesso de velocidade ou álcool, telefone controlado, não?
Chips na matrícula, via verde, pagamentos quase nos matam.
Assim vive o desconhecido cidadão, dia a dia mais pobre
Sempre os ilustres a ganhar e obter, dinheiro e vil prestígio
Qual valor do petróleo, suba ou desça o ouro a prata e o cobre.

Triste bailado, este que do poder temos, e ao qual assistimos
Hoje são uns a governar e outros na economia e na finança,
Amanha, trocam segundos com primeiros, nós restos repartimos.
Para os grandes trabalhamos já sem força para tal matança
Cada mes é um martírio e desgraça, para ao final chegar
Contas, contas e mais contas sofrimento deveras desmedido.
Andando para ver onde esta liberdade nos vai decerto levar.

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Poesia

Ritual de acasalamento

Coisas estranhas e tontas se fazem sem conta
Para ao outro agradar, trazer para bem próximo.
Não se tem medo nem põe condição pronta,
No mais ínfimo e simples olhar se sente o máximo.

As atitudes próprias passam a ser poucas e anormais
Qual pássaro encantado pela mais malévola serpente.
Os gestos de agrado e dedicação, nunca são demais
Para o alvo das atenções, nos damos num repente.

Mísera sorte, estranha condição. Terá dito Camões
Assim é tão fugaz e ligeiro, mas forte sentimento
Que não raras vezes faz aos grandes sentir anões.

Para o pretendido alcançar de tudo se promete ou faz
Damos o que temos e não temos, quer possível ou não.
Às difíceis ou impossíveis tarefas, vamos de forma audaz.

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