Poesia

Ser comunista hoje…

É ser forte lutador,
De causas nobres imbuído.
Só no bem comum pensa,
Sem olhar a esforço ou meio.
Se aperta a luta como prensa,
Da paulada faz galanteio,
Não ouve da bala o zumbido,
E aos ínvios ataca sem pudor.

Sempre admite as diferenças,
E delas, as causas naturais.
Escolha nas profissões,
Para si é igual homem e mulher.
Não liga muito a confissões
Detesta quem abusa da colher,
Apenas quer saberes, se funcionais,
Se contra reclama, é sem desavenças.

Economia ou finança, é comunidade,
Pede e anseia por boa educação,
Comida, saúde, casa e trabalho,
Sem para tal gemer ou mendigar.
Não suporta do outro ser frangalho,
O rico lambão, nem o povo a mingar.
A cultura e arte são sem castração,
No poder, cacique é iniquidade.

A jovens quer formar, instruindo,
Aos pais dar fundada esperança,
Se gente sénior, a quer enquadrar,
Todos e mais uns, serão uma nação.
Liberdades de ideais são pra jurar,
Sem preconceções é a jurisdição,
Mínimo no castigo e nunca a matança.
Justiça nos valores vai-se instituindo.

O mundo quer preservar e manter,
É nisso um verde defensor.
Contra todo os extremismos,
Deve combater sem tolerância,
E na palavra, ser sem eufemismos.
Na igualdade de meios faz militância,
Da social melhoria é pensador,
Toda a injustiça tem de se abater…..

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Poesia

Amizades

Na amizade há ruim e capaz,
Nem todas são puras ou ideais,
Umas são boas outras são más.
Estás bem, elas também estão,
Estás mal, deixam-te no chão.

Ainda que haja em multidões,
Poucas são ilustres e geniais,
Para ajudar nas duras ocasiões.
Pois então sejamos astutos,
É que há adultos tal qual putos.

Saiba-mo-las ler e entender,
Essas que nas costas batem,
E fogem se toca a defender.
Se te não ajudam quando nu,
A tua melhor amizade, és tu.

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Poesia

Ma´diba

Ahora que llora África en la clara noche
que no pronuncien su nombre los chacales,
que se callen los que ponen puñales por frontera
los insaciables de sangre africana, de dolor negro
asomado a las blancas mesas de la indiferencia.

Que no digan el nombre de Ma´diba
ni los presidentes ni sus secretarios
ni sus policías ni sus capataces
porque es nuestro, de los que fuimos apaleados
en todas las ciudades blancas y negras
unidos por el color de la ira más justa,
por la palabra solidaria en todos los idiomas.

Que los amos y los siervos de los amos
no pronuncien el nombre de Ma´diba,
digan si quieren el prisionero 46664
o el negro que está solo y aislado en Robben Island
porque así lo nombraron durante veintiocho años.

Que esta noche ruja el león en la sabana,
que destile llanto el noble acero de las lanzas,
y que tu nombre Ma´diba sólo sea invocado con derecho
por los jóvenes de todas las edades y de todas las pieles
que fueron universales y africanos
en la barricada del grito del mundo por un hombre.

Tu nombre Ma´diba es de los que con miedo y sin miedo
escribieron en el aire de sus mejores años
“Libertad para Nelson Mandela”

Y durante veintiocho años nos hiciste libres
desde tu celda digna de Robben Island.

— Luis Sepúlveda

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Poesia

Tempos de hoje

Em tempos de morais convulsões,
Manter a postura com dignidade,
Será a mais premente capacidade,
Para viver sem grandes confusões.

Tal meta alcançar é difícil tarefa.
Nesta selva material e desumana,
Onde só conta a questão mundana,
Nos nomes troca-se João por Josefa.

Todas as causas são importantes,
Menos aos pobres boa ajuda prestar,
Ou simples cuidar curtos instantes.

É ao rico que se presta ilustre atenção,
Ou é nas causas da minoria manifestar,
Tudo afim do povo iludir com disfunção.

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Tenho pena e não respondo

Tenho pena e não respondo.
Mas não tenho culpa enfim
De que em mim não correspondo
Ao outro que amaste em mim.

Cada um é muita gente.
Para mim sou quem me penso,
Para outros — cada um sente
O que julga, e é um erro imenso.

Ah, deixem-me sossegar.
Não me sonhem nem me outrem.
Se eu não me quero encontrar,
Quererei que outros me encontrem?

Fernando Pessoa

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Ébano de perdição

Existem cores inimagináveis
numa mulher docemente bela,
causa de frémitos indomáveis.
Seus traços são pintura sobre tela
pela mão do mais belo dos artistas,
talvez desígnio de um Deus maior
obra do mais digno dos projetistas,
como pecado, é das tentações a pior.

Causa de libidinoso sonhar acordado
provocadora de indecentes emoções,
prazeres em registo tolo e descuidado
loucura, atração ou outras emoções.
É doce esta mulher, digna da realeza
sentindo e mirando não há engano
de todos os ângulos irradia beleza
brilha como o sol tal Deusa de Ébano.

NOTA: Para a Cristina da Glória Favourecida, escrito depois de deliciosa conversa, inspirado nas entusiasmantes sensações que provocou.

Coimbra, 05 de Maio de 2015
Dinis Jesus

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Branca paragem

Para-se-nos o cérbero
Vazio e infinito
Nada conta, apenas avança
A cada segundo o tempo.
Esse valor imaginário
Mas que nos impede
E impele a avançar
Vamos assim a parte alguma.

E quando voltamos?
Cá estamos como antes
Sem ter saído do sitio,
Foi apenas tempo
A condição a que nos sujeitámos.
Será pouco? Não sabemos,
Logo nos dirão os guardiões
Da verdade e dos avanços do mundo.

Bom é o tempo que corre devagar,
Sem que quando voltamos,
Sim, dessa paragem funcional
Alguém nos castigue ou melindre
Porque voámos por segundos
E largámos o pelear terreno.
Desistimos apenas, por momentos,
De contra o tempo lutar.

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Poesia

Queria que os portugueses

Queria que os portugueses
tivessem senso de humor
e não vissem como génio
todo aquele que é doutor

sobretudo se é o próprio
que se afirma como tal
só porque sabendo ler
o que lê entende mal

todos os que são formados
deviam ter que fazer
exame de analfabeto
para provar que sem ler

teriam sido capazes
de constituir cultura
por tudo que a vida ensina
e mais do que livro dura

e tem certeza de sol
mesmo que a noite se instale
visto que ser-se o que se é
muito mais que saber vale

até para aproveitar-se
das dúvidas da razão
que a si própria se devia
olhar pura opinião

que hoje é uma manhã outra
e talvez depois terceira
sendo que o mundo sucede
sempre de nova maneira

alfabetizar cuidado
não me ponham tudo em culto
dos que não citar francês
consideram puro insulto

se a nação analfabeta
derrubou filosofia
e no jeito aristotélico
o que certo parecia

deixem-na ser o que seja
em todo o tempo futuro
talvez encontre sozinha
o mais além que procuro.

Agostinho da Silva, in ‘Poemas’

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Poesia

Aceitação

Ele há certas pessoas
Que mal ou bem
Sempre nos olham, escutam e aceitam.
Façamos asneira ou benfeitoria
São gente boa,
Entendem-nos, não vão em cantoria.

Porque conhecem bem
Ante tretas ou elaboradas conversas
Não se deixam enganar.
Porque mal nos pintem ou estejam a definir
São gente boa,
Entendem-nos, sabem o que andam a urdir.

Finalmente, porque o que é certo virá,
Juntos alcançaremos bom fim,
A serenidade chegará.
Ficarão os aceitantes como acertados e dignos
São gente boa,
Entendem-nos, juntos, combateremos os malignos.

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