Reflexões

A verdade dos políticos é coisa efémera e sempre serpenteante por entre a verdade dos factos. É torcida e retorcida em função do que em cada momento lhes parece, a eles políticos, que vai convencer mais eleitores ou possíveis eleitores. Assim raramente dizem as coisas tal como são realmente e ao invés de esclarecerem os cidadãos apenas os enganam.

Perante a constante manipulação das verdades a cada momento, sempre que algum político, menos alinhado com as elites políticas reinantes, diz algo realmente verdadeiro é encarado com desdém e incredulidade, não sendo considerado como opção válida para governar.

Estamos assim perante uma equação de resolução impossível e não sabemos a quem atribuir culpas pelo mal que temos, se aos políticos por serem mentirosos mas que alcançam o que pretendem ou aos cidadãos por não perceberem que têm de se esforçar por entender as coisas e por não tentarem saber em que fundamentam os políticos as ideias que têm de mundo e assim serem quase sempre enganados. Sabemos que a cultura política e a busca de informação válida é coisa trabalhosa, mas é, ao invés da intuição ou percepção de cada um sobre os outros, caminho único para ficar mais próximo da escolha acertada.

De uma coisa temos absoluta certeza: quanto mais inculto e medíocre for um universo eleitor, maior a probabilidade de políticos medíocres serem eleitos.

Dinis Jesus

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Reflexões

Prisões…
Hoje muitos trabalham apenas pelo suficiente para terem o mínimo, esse que lhes confere a segurança do existirem, alimentar-se e ir pagando as contas obrigatórias do dia-a-dia, mas não lhes dá a liberdade de serem o que querem.
Quem quer essa segurança, podes sempre cometer um qualquer crime e ir viver na prisão, terá esse mínimo garantido, e da mesma maneira, apenas perde a liberdade.

Dinis Jesus

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Poesia

No caminho com Maiakóvski

Assim como a criança humildemente afaga a imagem do herói, assim me aproximo de ti, Maiakóvski.

Não importa o que me possa acontecer por andar ombro a ombro com um poeta soviético. Lendo teus versos, aprendi a ter coragem. Tu sabes, conheces melhor do que eu a velha história.

Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm a ninguém é dado repousar a cabeça alheia ao terror. Os humildes baixam a cerviz; e nós, que não temos pacto algum com os senhores do mundo, por temor nos calamos. No silêncio de meu quarto a ousadia me afogueia as faces e eu fantasio um levante; mas amanhã, diante do juiz, talvez meus lábios calem a verdade como um foco de germes capaz de me destruir.

Olho ao redor e o que vejo e acabo por repetir são mentiras. Mal sabe a criança dizer mãe e a propaganda lhe destrói a consciência. A mim, quase me arrastam pela gola do paletó à porta do templo e me pedem que aguarde até que a Democracia se digne aparecer no balcão. Mas eu sei, porque não estou amedrontado a ponto de cegar, que ela tem uma espada a lhe espetar as costelas e o riso que nos mostra é uma tênue cortina lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo e não os vemos ao nosso lado, no plantio. Mas ao tempo da colheita lá estão e acabam por nos roubar até o último grão de trigo. Dizem-nos que de nós emana o poder mas sempre o temos contra nós. Dizem-nos que é preciso defender nossos lares mas se nos rebelamos contra a opressão é sobre nós que marcham os soldados. E por temor eu me calo, por temor aceito a condição de falso democrata e rotulo meus gestos com a palavra liberdade, procurando, num sorriso, esconder minha dor diante de meus superiores.

Mas dentro de mim, com a potência de um milhão de vozes, o coração grita – MENTIRA!

Eduardo Alves da Costa ( poeta brasileiro )

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Poesia

Intermezzo

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora me levam também
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertolt Brecht

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Diário

Cristãos sem humanidade

Comecemos por dizer que somos de discutir ideias e muito pouco de discutir pessoas e suas atitudes, até porque quase nunca conhecemos todas as nuances de um caso, mas nesta situação em particular vamos atrever-nos a opinar de acordo com o nosso sentido de humanidade.

A acreditar nas notícias, que diga-se não são da melhor proveniência, Nuno Magalhães deputado do CDS-PP e líder parlamentar, estará envolvido num processo judicial no tribunal de menores. Tal processo foi, no seguimento da lei, acionado automaticamente porque a mãe de um menino que já tem cerca de 4 anos, quando o registou não indicou nome do pai.

Não sei em que reside a dúvida, não sei quem já conhece os resultados dos testes de paternidade mas sei que o tribunal acabará por decidir de acordo com a lei, independentemente dos atrasos e das dúvidas que por vezes surgem das interpretações dadas pelos juízes dos tribunais de menores e pelas prerrogativas que a lei confere a tais juízes.

O que de todo não compreendo é que uma criança, viva até aos 4 anos sem saber quem é o seu pai… Claro que a culpa será de todos mas não da tal criança.Como pode alguém que se diz cristão, permitir tal coisa durante tanto tempo? Porque diz que assumirá as responsabilidades que o tribunal determinar?

Não sei o que deveria fazer o Sr. Nuno Magalhães, mas sei o que eu faria na sua condição… Perante a dúvida, requereria ao tribunal a analise no instituto de medicina legal, e perante os resultados, se positivos, quereria imediatamente exercer os direitos e deveres de pai, independentemente de todo o resto da envolvente… Não, não esperaria pela decisão do tribunal que chegará tarde pela demora do sistema judicial. O cumprir a lei, pode ser pouco quando a situação é amor e relacionamentos entre país e filhos… Confesso não conhecer pormenores do caso, mas depreendo que até a decisão final do tribunal não assumirá a paternidade ou o caso não faria sentido. Que tipo de relacionamento terá com a criança e em que condições?

Bem sabemos que existem situações entre adultos tremendamente discutíveis, indecentes até, mas as crianças têm o direito à verdade, independentemente de tudo o que se passe antes e depois entre os adultos progenitores e que certamente irão condicionar a vida futura da criança. Mas o que levará uma pessoa a perante a dúvida, e depois a certeza, não querer ser pai? Serão razões económicas, serão de ordem familiar? Nenhumas são aceitáveis no nosso entender…

Mas sabemos porque pensam assim as pessoas e em que ideologia política militam. Porque são de direita, logo colocam o seu bem-estar acima de tudo, querem ter o mínimo de gastos e sentem vergonha dos seus erros e mais que tudo sentem vergonha da sua condição de humanos, que enquanto tal fazem coisas impelidos pela humanidade e que nem sempre respeitam as regras instituída pela sua ideologia ou religião…

Gente que deixa que valores morais discutíveis se sobreponham ao que deveriam ser valores fundamentais, a defesa intransigente dos nossos filhos e o querer colaborar no seu crescimento, será sempre gente que nada de bom trará ao mundo. Já pelo contrário trará egoísmo e avareza, mais ainda quando se julgam catequistas e ocupam lugares de visibilidade pública.

Se elegemos gente desta natureza para deputados, temos a Assembleia da República que merecemos.

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Diário

Manipulações

Perante a incapacidade oratória do ministro Aguiar Branco para dizer alguma coisa com nexo e adequada ao momento de perda pela morte do economista Silva Lopes, pessoa de reconhecidos méritos e de uma simplicidade esclarecedora sempre que se dirigia publicamente a alguém, somos sujeitos a uma enorme manipulação, a do vídeo que a SIC Noticias colocou no ar e que depois alterou.

Perguntamo-nos pois:

Quem terá dado ordem para tal alteração?

Quem ganhará com a alteração, já que outros órgãos informativos mantêm as declarações?

Porque teimam, alguns órgãos de informação, em tratar os portugueses todos como burros?

As perguntas, para as quais não temos resposta, são assim apenas um meio para que possamos pensar acerca da teia de interesses que se instalou na informação e as campanhas de desinformação a que somos sujeitos constantemente.

É claro que quem usou o vídeo para ironizar com as declarações do governante e o colocou nas redes sociais ou em blogues, usando-o como demonstração das declarações, se vê agora a fazer papel ridículo, já que embora o título do vídeo seja o mesmo, as declarações do ministro já não são as do vídeo original.

Temos realmente uma informação medíocre e que se gere por interesses dúbios. Perante tais factos se não nos transformarmos em cidadãos preocupados com o rigor das notícias e não colocarmos em causa as informações que nos chegam por canais claramente conotados com alas políticas, somos enganados.

Se calhar por sermos negligentes e amorfos temos a informação que merecemos.

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Diário

Tolices de ministro

Aguiar Branco, ministro do nosso governo diz umas coisas de que por certo, quando estiver no seu estado normal, sentirá vergonha… Ou não, tal o estado de autoadmiração que esta gentinha menor desenvolveu.

Ele há gente que diz cada coisa tão sem nexo que por vezes não entendemos como são proeminentes advogados e até ministros… Mas pensando melhor, depois entendemos, não o que dizem mas antes o porquê de serem bem sucedidos e ministros…

Por termos um povo pouco formado intelectualmente e pouco atento ao que é verdadeiramente importante, vivemos no país que temos, e temos de suportar medíocres como ministros.

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