Reflexões
“No Político, distingo dois momentos, o do presente e o do futuro. Principiando pelo segundo desejo o desaparecimento do Estado, da Economia, da Educação, da Sociedade e da Metafísica; quero que cada indivíduo se governe por si próprio, sendo sempre o melhor que é, que tudo seja de todos, repousando toda a produção por um lado no amador, por outro lado na fábrica automática, que a criança cresça naturalmente segundo suas apetências sem as várias formas da cópia e do ditado que têm sido as escolas, públicas e de casa, que o social com suas regras, entraves e objectivos dê lugar ao grupo humano que tenha por meta fundamental viver na liberdade e que todos em vez de terem metafísica, religiosa ou não, sejam metafísica. Tudo virá, porém, gradualmente, já que toda a revolução não é mais do que um precipitar de fases que não tiveram tempo de ser. Por agora, para o geral, democracia directa, economia comunitarista , educação pela experiência da liberdade criativa, sociedade de cooperação, e respeito pelo diferente, metafísica que não discrimine quaisquer outras, mesmo as que pareçam antimetafísicas. Mas, fora do geral, para qualquer indivíduo, o viver, posto que no presente, já quanto possível no futuro: eliminando o seu supérfluo, cooperando, aceitando o que não lhe seja idêntico – e muito crítico quanto este -, não querendo educar, mas apenas proporcionando ambiente e estímulos, e procurando tão largo pensamento que todos os outros nele caibam. Se o Futuro é a Vida, vivamo-la já, que o tempo é pouco: que a Morte nos colha vivos, e não, como é hábito, já meio mortos; aliás, suicidados.”

– PENSAMENTO À SOLTA, TEXTOS E ENSAIOS FILOSÓFICOS II, Âncora Editora, 1999, pp. 175 e 176 

Agostinho da Silva

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