Diário

Quando os cordeiros elegem os lobos.

Correndo o risco, assumido, de ser tido como petulante, arrogante, intelectualoide de esquerda, mau perdedor ou outro qualquer epiteto menos abonatório, não vou deixar de expressar o meu estado de espirito em noite de resultados eleitorais que não são os que eu esperava.

O que levará um povo, que não um qualquer enviesamento cognitivo, a perante os factos conhecidos e que são resultantes da governação que tivemos nos últimos anos a manter como partidos mais votados os que governaram até aqui?

Se um núcleo duro de cidadãos se entende que votem na coligação porque perfilham da linha ideológica que norteou a governação e dessa linha tiram claro benefício material, sem nenhum dado cientifico que ratifique o que digo, esse núcleo duro não representará mais do que 20% dos eleitores. Mas então o que levará a que essa gente tenha o dobro dessa votação?

Para as perguntas atrás formuladas só me ocorre uma resposta:

Falta de cultura politica e nem sequer saber o que mais defende os interesses próprios escolhendo assim absolutamente enganados ao que se soma uma militância cega e ignorante sem nenhuma base ideológica.

Se não vejamos:

Como se vota numa governação que empobrece um país em cerca de 5% do PIB?

Como se vota numa governação que obriga a emigrar quase meio milhão de cidadãos jovens?

Como se vota em quem encolheu salários públicos e pensões?

Como se vota em quem encolheu o número de empregos alguma coisa entre duzentos e cinquenta mil e trezentos mil?

Como se vota em quem encolhe os salários cerca de trinta por cento em média? E não encolhendo os salários mais altos.

Como se vota em quem corta na saúde pública e no ensino público e passa verbas públicas para as mesmas áreas no privado?

Como se vota em quem encolheu o investimento, público e privado, como nunca ninguém fez?

Como se vota em quem pediu sacrifícios para encolher a divida e a aumenta como nunca ninguém o tinha feito alguma vez?

Como se vota em quem fez “um brutal aumento de impostos” ?

Como se vota em quem teve uma média de défice anual, usando duros sacrifícios, semelhante à governação Sócrates que fez dois anos de mandato com défices junto aos dez por cento em consequência da crise do sub-prime?

Como se vota em quem, com a sua governação, alarga a diferença entre ricos e pobres (desigualdade) sabendo que a maioria dos votantes é pobre ou remediado?

Para não fazer mais perguntas, já que ainda haveria mais passiveis de ser feitas, questionando as razões que levaram quem perdeu economicamente a reclamar estridentemente mas a votar de forma a manter o governo que lhe prejudicou durante quatro anos, apenas digo que muitos desses votantes acarneirados por militância, dirão agora que as alternativas que se perfilavam eram más e como tal não traziam confiança, di-lo-ão apenas porque têm vergonha de assumir que são como ovelhas e por isso se bastam na sua própria ignorância.

Remato citando Miguel Torga:
“EM PORTUGAL, AS PESSOAS SÃO IMBECIS OU POR VOCAÇÃO, OU POR COAÇÃO, OU POR DEVOÇÃO.”

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Comentários em “Quando os cordeiros elegem os lobos.

  1. Começo por dizer que CARNEIRO E IGNORANTE DEVE SER O SENHOR.
    A resposta a todas as suas perguntas é, ( que não basta dizer que há alternativas, ou outras soluções ) é preciso enumerá-las por A mais B.
    Eu sempre gostei de jogar pelo seguro, nunca no escuro e muito menos em aventureiros.
    Tudo mais é conversa de demagogos convencidos.

    • Dinis Jesus diz:

      Tudo o que os outros dizem diferente do que queremos acreditar pode sempre ser qualificado como demagogia e convencimento… Para enumerar seja o que for com resultados era preciso ter como interlocutores pessoas capazes de ver para além da cor da camisola e da bandeira… Coisa rara em certa malta… Jogar pelo seguro deve ser continuar a aumentar a divida como nunca ninguem fez antes deste governo…

  2. Marília Manuela Ventura Nunes Marques diz:

    Os que votam na governação. Os que não votam.
    Baseada em comentários e desabafos reais.
    Vota-se, porque se está bem e não interessa como está o país. Porque só pensam neles. Vota-se, porque parece mal não ir. Vota-se em (in)consciência e sem se reflectir. Vota-se porque se tem muito medo … de ficar pior … (como se não estivéssemos já). Vota-se, porque se antevê uma “tampa” de um qualquer tacho. Vota-se, porque se tem o objectivo, de um dia ser também corrupto e lucrar com isso. Vota-se, porque apenas lhe dá prazer ver os outros mal. Vota-se, porque naquele dia nem teve nada para fazer. Vota-se, porque pertence aos “partidos” da governação e vai iniciar a sua carreira “carneira” política, ou pretende continuar a sorver o Estado (que somos todos nós). Vota-se porque se é ignorante (e é destes que a governação mais gosta). Vota-se pela cara e pelo fato. Vota-se (porque não levou os óculos de perto).
    Não se vota:
    Porque meio milhão de jovens emigraram (e foi já com este fito que os mandaram emigrar).
    Porque os milhares de desempregados, não têm alento e apenas pensam em como sobreviver. Ou então estão a trabalhar para pagar o seu subsídio.
    Porque os que estão a trabalhar das 08h00 às 19h00, não puderam
    (ficaram a substituir ex-colegas que foram despedidos).
    Porque aos fisicamente diminuídos ninguém os levou.
    Porque não há dinheiro para ir, nem à farmácia, nem ao hospital, nem a lado nenhum.
    Porque a alguns, mais idosos, já lhes disseram que não valia a pena.
    Porque lhes dá gozo não ir.
    Porque são ignorantes (e é destes que a governação gosta).
    Porque “deixa andar”.
    Porque só pensam neles.

    • Dinis Jesus diz:

      Estamos ainda assim na luta e somos mais agora que antes das eleições… Tem razão em muito do que diz na sua analise ao meu desabafo, obrigado por ter a paciência de me ler.

    • Dinis Jesus diz:

      O país nunca faliu… Mas de uma coisa temos a certeza, nunca esteve tão falido como hoje com o maior endividamento de sempre e tendo um PIB como em 2003.

  3. Petulante, arrogante, intelectualoide de esquerda, mau perdedor ou outro qualquer epiteto menos abonatório. Concordo plenamente com o que espera que eu pense de si e mais sou o imbecil que o seu colega correligionário de esquerda pensa sobre os portugueses mas ao contrário do seu “espasmódico” desabafo faço parte de uma gente sob o lema “audaces fortuna juvat” sem extremismos ! E como o o sr. intelectualóide sabe os extremos tocam-se ! Ovelha sim! Mas não e se me permite :com o devido respeito e a devida vénia não “ranhosa” como é o caso de V.Exª. que aparece nas redes sociais como dono da verdade assumindo o que para si é fundamental numa linguagem de “sapião” esquecendo-se que os que votaram neste governo também participaram na revolução criando através do voto o espaço para V.Exª.se “espraiar ” em considerações mesquinhas e falsas quem contraria a sua base ideológica.
    Augusto Ricardo

    • Dinis Jesus diz:

      Obrigado por ler e ter opinião…
      Apenas há uma diferença de entendimento, eu não espero que pense nada sobre mim mas pode e deve ter opinião a meu respeito por mais mal educada que ela seja é um direito seu tal como é meu o direito de achar dos votantes na coligação ovelhas… O direito que não tem é o de falar sem interpretar corretamente o que eu escrevo.. Tem só de escolher se é dos que está naqueles 20% que eu admito que devem votar nesta gente da coligação ou se realmente vota por ignorância e por adestramento ovino, o de seguir mesmo aqueles que lhe causam dano numa atitude seguidista e típica dos rebanhos…

  4. Ale Correia diz:

    Boas Dinis
    A meu ver os cordeiros não elegeram os lobos, alias acho absurdo dizer-se que o povo é “burro” e “ignorante” por votarem no mesmo governo, a minha analise mostra que o povo não quer este governo, nem nunca quis, nem votou para o ter.. O resultado das eleições é completamente injusto, temos dois ideais de Direita unidos num só, resultando numa soma de votos dos seus militantes. Em contrapartida os outros votos foram divididos, por três Partidos não muito distantes na concepção de ideias, mas separados na luta. Tornando a “Democracia” num jogo estratégico, onde só dois o souberam jogar.
    Querendo o povo uma mudança (como quer, e quer mesmo) neste formato de eleição parece-me algo bastante improvável de acontecer.. Ora vejamos, o PS conquista uma grande percentagem dos votos pois é o partido com mais força para se opor a governabilidade estabelecida, então, eu quero votar PS? Não, vou votar BE? (por mais que eu queira, sei que o meu voto no BE é menos um voto no PS, praticamente conta como mais um para PSD/CDS) não votando no PS logo vou favorecer a politica de Direita, isto acontece seja com qualquer partido. A coligação de Direita já esta feita seria preciso uma união entre os dois/três maiores partidos de Esquerda para nos colocar em pé de igualdade.. ao que me parece “impossível” com os dogmas desta sociedade.. (infelizmente)

    “A união faz a força”
    “Duas cabeças pensão melhor que uma”

    como jovem trabalhador, com um futuro pela frente, só procuro um estado social justo, que nos fará prosperar enquanto humanidade. Utopia talvez.. Cumprimentos

  5. Jose Granja diz:

    Boa tarde.
    Assino o que disse.
    Mas vejamos ,o PS de António Costa de quem eu simpatiso quem tem ao seu lado?
    Só Pedófilos ,desde a mulher de Paulo Pedroso ao João Bafo Onça (líder parlamentar).. e toda a escumalha.
    Não renovou o partido e apareceu o Sócrates a dar a facada final.
    Sempre fui PPD , mas este governo tirou tudo inclusive a educação de miúdos .
    Alternativa de voto.
    Só só vejo a linda Catarina(BE).
    Os portugueses não sabem escolher na hora.
    Vamos todos rezar a Virgem Santíssima a Fatima

  6. MOTE

    O estado a que nós chegámos
    É culpa dos portugueses.
    Foi neles que nós votámos
    Não uma, mas muitas vezes

    (Desconheço autor da quadra)

    A QUEDA

    I
    Começo pelo outro Estado
    Que tem sido o maior ladrão…
    Rouba ao pobre, dá ao vilão,
    Tudo ele nos tem roubado.
    Lamenta-se o povo, coitado:
    – Como foi que nos tramámos?…
    Sem quase nada ficámos
    Do que se conquistou em Abril…
    Metemos o Lobo no covil,
    O estado a que nós chegámos!

    II
    Votar nos mesmos é o mote
    Mas que memória tão curta…
    Caso efeito de tal não surta,
    Sacode-se a água do capote.
    Dizem ser uma pouca sorte
    Estes inúmeros reveses,
    Que todos os dias são trezes
    No calendário eleitoral…
    Se nada muda em Portugal,
    É culpa dos portugueses!

    III
    Ninguém chega ao poder
    Por obra e graça do Senhor…
    Quem escolhe é o eleitor,
    Parece-me justo assim ser.
    O que possa vir a suceder
    Nos dirá se acertámos,
    Ou então nos enganámos
    Caindo na mesma esparrela…
    Come tudo por tabela,
    Foi neles que nós votámos.

    IV
    Até o mais esperto cai
    Sempre uma primeira vez…
    Não há duas sem três,
    Já me dizia o meu pai.
    Da cabeça não me sai
    Outra vez metido em fezes,
    Caiem os mesmos fregueses
    Em quem nos anda a tramar…
    Os que se deixam enganar
    Não uma, mas muitas vezes!

    Matias José (pseudónimo de Carlos Camões Galhardas)

  7. Abilo M. diz:

    Tenho mais que nunca “vergonha” de ser português. Bem gostaria de entender como pensa o povo ao qual pertenço. Mas não entendo.
    Não acredito em políticos nestes politicos ou até mesmo na politica a menos que o nivel espiritual, a menos que a verdade do ser humano cresça e venha á tona.
    Sei que temos Homens capazes não somos todos incompetentes, mentirosos e ignorantes.
    Precisamos eleger, precisamos de permitir que os que tem tomates lutem ao lado dos Portugueses.

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