Diário

Passos Coelho entre tolices e arrepios.

Onde chega a desfaçatez de certa gentinha, sem saber e em completo desnorte.

Hoje ouvimos Passos Coelho, diante dos lesados do BES, oferecer a sua compreensão e até caridosamente propor-se como primeiro subscritor de um peditório público para os lesados do BES poderem ir reclamar os seus direitos no tribunal.
Pior que tudo, ouvimos o tal “de caridoso” Passos Coelho dizer que pode garantir que os prevaricadores, no caso dos lesados, serão julgados… Mais uma vez esta gente deste PSD acha que manda no poder judicial e que até pode garantir a existência de acusações e os respetivos julgamentos numa clara intromissão do poder politico no poder judicial.

Tentaremos dar a nossa opinião acerca destas duas tolices quase simultâneas ditas pela boca de um candidato a primeiro-ministro e que ainda é primeiro-ministro.

Comecemos pela atitude de solidariedade bacoca que tenta colher da desgraça alheia colocando-se no lugar do caridoso e solidário colaborador com uma coisa que já é constitucionalmente uma obrigação do estado. Faltou-lhe só quantificar que meios serão alcançados na subscrição e quanto chegará a cada um dos lesados para fazer a sua defesa, é que saber isso podia ajudar a perceber se haverá igualdade de meios entre uma parte e outra… Ou como sempre a defesa será feita oficiosamente com advogados, que não recebem ou recebem miseravelmente, que nem sentem motivação para olhar para os processos até à hora de estarem diante do juiz.

Sabemos que vale dizer tudo em tempo de campanha, mas devia haver limites de decência para o grau de mentira e engano que se usa perante quem, em desespero, se quer agarrar a qualquer esperança, por mais mirabolante que seja a promessa.

Alem de nos parecer uma ideia absolutamente apatetada é sobretudo uma ingenuidade ou mesmo infantilidade vinda de um tipo que ainda é primeiro-ministro e que pretende voltar a ser… Sobretudo quando a decisão de separar o banco em dois, um mau e um bom, foi do banco de Portugal com o conhecimento e ratificação do governo na pessoa da ministra das finanças. Será que se o banco fosse viabilizado ou nacionalizado, haveriam lesados do papel comercial? Fica a pergunta, tendo nós desde já uma ideia de resposta e que seria: Não, não haveria lesado algum do BES se a atitude do governo fosse a mais adequada.

Passemos agora ao assunto menos falado mas o mais importante, ou mesmo perigoso, desta troca de palavras entre Passos Coelho e um dos lesados do BES em claro desespero.

Não é que o ainda primeiro-ministro garantiu enfaticamente ao homem diante de si que os responsáveis pela situação em que ele, lesado, se encontra serão levados a tribunal e julgados. Nós nem queríamos acreditar no que ouvíamos… Será que, na linha de Paulo Rangel, esta gentinha de intelectualidade menor se julga com poder para comandar os tempos e destinos da justiça em Portugal?

Ou esta gente teima em tratar-nos a todos como medíocres e fáceis de manipular com total desfaçatez ou então é mesmo só impreparada e perante uma campanha que lhe não está a sair nada bem, já esbracejam sem controlo cerebral da motricidade, na tentativa de amenizar a desgraça. Só que sempre que Passos Coelho, sob pressão, tem de dizer alguma coisa e fica gravado, normalmente saem-lhe pérolas, do disparate.
Mas não é sem inquietação que vamos ouvindo responsáveis e altos cargos desta atual governação PSD irem em surdina repetindo frases que inequivocamente demonstram que eles pensam ter algum poder sobre o poder judicial.

Vivemos governados por um bando idiotas que associam a sua idiotice a uma ideologia perigosa de uma certa qualificação como que divina, que lhe dá toda a razão do mundo em todos os assuntos.
Se não corremos com esta gentinha impreparada, medíocre e arrogante do poder no dia das eleições, somos cúmplices do que de mal nos vai acontecendo e merecemos todos os castigos que eles, governos, nos queiram aplicar.

Standard

Um comentário em “Passos Coelho entre tolices e arrepios.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *