Perante a notícia e alarido subjacente, de que uma barbearia que não permite a entrada a mulheres, foi invadida por um bando de caras tapadas, assalta-nos a vontade de escrever sobre igualdade de género e até coisas mais fortes dentro do tema género.
Enquanto muitos se preocupam com a luta de género e fazem grande alarido nessa luta, porque é disso que falamos, não nos enganemos, nós pensamos através de crivo mais fino e centramos a nossa preocupação no direito à liberdade e dignidade individual, porque sentimos que esse é o único compartimento válido, o individuo, seja ele qual for. Será ainda cedo e um exagero pensar assim? Talvez. Mas queremo-lo sem nenhum tipo de descriminação de género, raça, credo, escolha sexual ou outra qualquer razão de possível descriminação.
Também não gostamos de liberdades e igualdades que sejam condicionadas por qualquer tipo de superioridade moral, podemos até achar a escolha da ideia de negócio uma perfeita estupidez, a mensagem que comporta uma aberração. Mas teremos o direito de incomodar quem pensa diferente de nós, de forma que não seja expressando a opinião? Isso dá aos outros, ainda que em maior ou menor numero, o mesmo direito de nos incomodar quando pensam diferente de nós? Se sim, está então legitimada a existência da tal barbearia.
Em que se poderão sentir atacadas as mulheres, ou alguns homens, pelo facto de um ou mais indivíduos quererem ter um estabelecimento comercial com uma clientela pré-determinada no género? Já algum homem se terá sentido violentado pelo facto de existirem ginásios que só aceitam senhoras? Em que caso será permitido o impedir a entrada de alguém durante um determinado trabalho? Poderemos, homem ou mulher, querer entrar no consultório de um médico e assistir ao exame de outro paciente? Quem estabelece esse limite, serão o médico e a lei? Podem ou não, legalmente, ter uma barbearia que limita a admissão a um determinado género? Se sim, fim de discussão ou discuta-se no local certo, onde se mudam as leis ou manifestando-se nas ruas.
Num mundo ocidental onde as constituições tratam em termos legais todos os indivíduos como iguais, que raio de necessidade haverá de lutas deste tipo? Faça-se valer a lei e só a lei ou então altere-se a lei se ela não servir os interesses da maioria. Não cremos que a lei impeça a abertura de uma barbearia que só aceite para clientes os homens. Depois se na sinalética colocam mensagens de mau gosto, isso é uma questão de costumes e não nos interessa, se não nos agrada podemos pensar acerca deles o que quisermos e agir de acordo com aquilo que menos nos incomoda. Sempre sem causar dano a terceiros é claro.
Se há coisas com as quais não compactuamos, de entre elas, aquela com que mais discordamos são as lutas só pela luta e sem outro qualquer objetivo ou com objetivos já desnecessários. Nesta situação a questão de todo não é outra, só mentes condicionadas pelo passado ou que apenas gostam da luta pela luta podem sentir-se confortáveis com tais coisas.
Voltando à liberdade individual, compartimento último da igualdade, esta é cada um fazer aquilo que quiser desde que isso não colida com direitos básicos do outro. Só por existirem vontades que garantidamente iriam violentar terceiros é que se tem de estabelecer uma quantidade de regras. Ótimo mesmo seria a ausência de regras e ainda assim ser possível viver em sociedade sem agressões de qualquer natureza entre os humanos, desígnio último que almejamos.
A luta pela igualdade de sexos nas sociedades ocidentais, parece-nos hoje em dia absolutamente ultrapassada pela realidade e será o tempo a fazer o resto que falta fazer, ao levar pela morte aqueles que ainda hoje têm em si a arrogância de pensar que a diferença de sexo determina a diferença de direitos. Perante tal evidência parece-nos um absoluto exagero continuar a ter atuações em defesa de fantasmas que já não existem senão na cabeça de alguns que sentindo-se modernos e até eruditos mais não são que representantes de coisas do passado, para lhes não apelidar de absolutamente retrógrados.
Deixamos a título de informação os caminhos para a página de estatística mais completa que existe em Portugal e que reflete de facto o que por cá se passa e que demonstra claramente não haver descriminações significativas em função do género, imagino que as restantes sociedades ocidentais estarão nas mesmas condições ou melhores em termos de igualdade de género. Indicamos as áreas de maior importância social, tais como a presença por género na universidade de estudantes e doutoramentos, em termos das magistraturas nos tribunais, ou números de advogados por género, em termos da área de profissionais da saúde, na área dos profissionais do ensino, o número de condenados por sexo, e poderíamos ainda indicar, maçadoramente, outras que apenas demonstrariam aquilo que pensamos ser o que efetivamente acontece hoje em dia e que as atuais dinâmicas sociais tendem a acentuar. Mas quem queira de boa-fé discutir o assunto pode gratuitamente analisar por si as informações que no portal da PORDATA estão facilmente acessíveis, sabemos que dá trabalho, mas certamente tornará qualquer discussão mais suportada na verdade dos factos ao invés de ser suportada numa visão subjetiva de mundo.
É que o tema “ género “ leva-nos a assuntos mais sérios, perigosos até, dentro da atual sociedade com suas lutas e causas que mais que necessidades se tornaram modas ou até desígnios únicos ou projetos de vida para algumas pessoas, essas, com a forte possibilidade de pelo exagero desacreditarem aquilo porque lutam. E para muitos hoje em dia, qualquer ponta ou indício de testosterona que não esteja suficientemente confinado à necessidade e interesse de uma determinada linha de pensamento ou razão funcional, é só por si já um crime e uma iniquidade.
Devemos mesmo dizer que esta atitude “anti testosterona” é transversal aos dois sexos, com a agravante que em alguns casos, porque colhe junto do outro sexo, alguns homens quase são mais feministas que as lutadoras e esganiçadas feministas, numa atitude altamente questionável de querer ser “in” ou até pior, para apenas serem mais bem aceites entre as mulheres e assim as poderem convencer sexualmente com maior facilidade.
Começamos com essas modas, chamemos-lhe assim, a inquinar a justa avaliação das coisas por influência de campanhas dirigidas por interesses estranhos e que umas vezes têm sustentação e a maioria das vezes não têm. Por força de tais campanhas, passamos por vezes mensagens absolutamente distantes da realidade e levamos por arrastamento gente com responsabilidades a decidir em muitas ocasiões sem justiça e com o pensamento turvado pelo exagero de campanhas e pelo “in ou chique” que se torna defendê-las.
Damos como exemplo aterrador dessas campanhas uma notícia do pasquim CM onde um arauto da desgraça e ex-membro da polícia judiciária tem frases aterradoras e indiciadoras do tal alinhar com a moda, dando até a esse alinhamento sórdidos pormenores de requinte como no parágrafo que transcrevemos:
“Presos na cadeia, condenados somente pelo crime de violência doméstica tipificado no artº 152 do Código Penal, não acredito que existam mais de 10 agressores e estou a dar metade já para as quebras. Se existirem dez condenados, detidos a cumprir pena por crime de violência doméstica, é para festejar.”
Não será esta uma linguagem absolutamente exagerada e manipuladora da opinião pública ao dizer que é para festejar ter homens condenados? Ao invés o real motivo de festejo seria o da não existência de condenados por não existirem casos de violência doméstica. Mas isso não seria um discurso mobilizador nem seduzia por não causar impacto. Misera sorte, estranha condição.
À luz dessas campanhas e de elas se estarem a constituir como moda, existem hoje muitos condenados sem razão, portanto de forma injusta, e muita gente que pratica verdadeira violência, em termos se não físicos psicológicos, e só porque são mulheres os autores nunca terão uma acusação e tratamento justo ao abrigo do tal articulado do código penal. Passamos assim do oito, onde a regra era a mulher sofrer violência, ao oitenta com um qualquer espirro para o lado errado, a ser considerado violência se o espirrador for o homem e às mulheres serem permitidos claros atos de violência psicológica, verdadeira tortura, e sem que estes sejam avaliados e tratados justamente pela justiça. Factos com a agravante, de em função das dinâmicas sociais já apresentadas no que respeita às magistraturas e assistência social, a probabilidade de um processo ser investigado, assistido, acusado e julgado por mulheres é enorme, mulheres essas, imbuídas do espirito que as modas carregam e assim sem condições de desempenharem a sua função de forma isenta e desprovida de preconceitos. Triste porto de desembarque para a excessiva e desnecessária navegação pela guerra dos sexos.
De uma coisa temos a certeza absoluta, muitas das pessoas que teorizam e argumentam na linha de que a discriminação sexual e a violência de género são hoje de forma marcante uma chaga da nossa sociedade, num qualquer registo que não seja o da defesa das liberdades e direitos do individuo enquanto ser absolutamente igual em termos de direitos e deveres, estão claramente a exagerar e a fazer da nossa sociedade humanista uma coisa menos decente e menos justa.