Diário, Poesia

Valeu a pena

Com voz serena – perguntaram-me ao ouvido
Valeu a pena – vir ao mundo e ter nascido
Com lealdade – vou responder, mas primeiro

Consultei meu travesseiro – sobre a verdade
Tive porém, que lembrar o meu passado
Horas boas do meu fado – e as más também

Valeu a pena – ter vivido o que vivi
Valeu a pena – ter sofrido o que sofri
Valeu a pena – ter amado quem amei
Ter beijado quem beijei – valeu a pena

Valeu a pena – ter sonhado o que sonhei
Valeu a pena – ter passado o que passei

Valeu a pena – conhecer quem conheci
Ter sentido o que senti – valeu a pena
Valeu a pena – ter cantado o que cantei
Ter chorado o que chorei – valeu a pena

Valeu a pena – ter vivido o que vivi
Valeu a pena – ter sofrido o que sofri
Valeu a pena – ter amado quem amei
Ter beijado quem beijei – valeu a pena

Valeu a pena – ter amado quem amei
Ter beijado quem beijei – valeu a pena

«Mário Moniz Pereira»

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Reflexões

Milhões vivem numa amorfa revolta interior que jamais lhes permitirá o serem felizes.
Tal revolta funda-se na luta entre o desejo de liberdade individual e o respeito por um conjunto de regras morais que outros, noutros tempos, instituíram como sendo as corretas e que nos chegam pela via educacional.
Pergunta-se então:
— Valerá a pena trocar a liberdade pela aceitação dos outros?
— Mesmo os que aparentemente validam as regras, vivendo de acordo com elas, serão algum dia felizes, sequer experimentarão algum tipo de felicidade ou vivem apenas um infeliz auto-engano de felicidade?
— Valerá a pena suprimir completamente a animalidade que nos habita naturalmente e que se chama humanidade, se isso nos afasta da felicidade?
Se cada um pensar alguns minutos, honestamente, nestas questões possivelmente a humanidade ficará mais próxima de ser feliz, o seu desiderato último.

Dinis Jesus

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Reflexões

Estou a exigir muito de si ? Quem lhe há-de exigir muito senão os seus amigos ? Eles receberam o encargo de o não deixar amolecer e, pela minha parte, tenha você a certeza de que o hei-de cumprir. Você há-de dar tudo o que puder, e mesmo, e sobretudo, o que não puder; porque só há homem, quando se faz o impossível; o possível todos os bichos fazem. Quando você saltar e saltar bem, eu direi sempre: agora mais alto ! Que me importa que você caia. Os fracos vieram só para cair, mas os fortes vieram para esse tremendo exercício: cair e levantar-se; sorrindo

In Sete Cartas a um Jovem Filósofo [1945], in Textos e Ensaios Filosóficos I, p. 268.

Agostinho da Silva

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