Poesia

Porque

Porque não temos fome,
porque não temos guerra,
Porque não temos doenças graves,
Porque se as temos há quem nos cuide,
Porque vivemos sem catástrofes naturais,
Porque temos amigos,
Porque ainda temos educação publica,
Porque somos gente de bem,
Porque a família funciona,
Porque por grande que seja a tempestade vivemos à tona.

Que este ano termine bem e lance raízes
Para que em 2015
Todas as gentes sejam bem-dispostas e muito felizes…

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Poesia

Deusa improvável

Surgem do nada, na virtual nuvem
Com seu ar maduro, divertido e astuto
Trazem a certos dias menos dor e luto
E fazem doce a forma como nos ouvem.

Seu belo cabelo curto a face lhe descobre,
Seu corpo moldado pela dureza da vida
Em certas cabeças mais fogosas convida
A pensar em desejo menos puro ou nobre.

Envolvência no discurso aceso a seduzir
Causa de frémitos e pecaminoso sentir
Sensual e atrevido, até ao pecado induzir.

Bela, suave, divertida, culta e artística
Gera vontades que se devem omitir,
Clara e presente é sua beleza e mística.

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Natal

É tempo de lembrar o menino
com suas genuínas condições,
sem manias de grande consumo
nem fabricar faustosas tradições.
 
Em dia de familiar convivência,
dever de comedimento sem ostentar,
tudo se deve repartir convictamente
e a mais pura solidariedade alimentar.
 
No Natal de hoje ou no de outrora
certas gentes se mostram mais nobres,
tomam a seu cargo obras de caridade,
em sentida, mas falsa ajuda aos pobres.
 
Na noite do messiânico nascimento
devem as gentes ser comuns e frugais,
pois não são os requintados presentes
que fazem belo, este ou outros Natais.

 

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Emoção

O dia fica lindo e radioso se contigo troco palavra,
sem porquê ou razão, fica a vontade de não parar,
conversar sem fim em registo meio embaraçado,
o de quem sabe o que quer mas não pode dizê-lo,
cala-se então tal sentir na esperança de mantê-lo.

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Fugazes tempos

Quando é doce a companhia
muito tempo nos parece pouco,
palpita o peito que parece louco
as horas voam em negra magia.

Lindas pessoas de enorme nobreza
ternas, calmas e com sobriedade,
são belos segundos de felicidade
envoltos de uma aura de pureza.

Quando nos falam ou quando olham
são sons calmos, é fascínio profundo
e frémitos das entranhas nos exalam.

Mesmo na agrura amenizam a dor
neste chorar que vivemos no mundo
dão-nos sonhar e o acreditar no amor.

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Escolha natural

Nesta coisa dos sexos, deves escolher
olha que há muita gente enganada,
uns que julgam tudo saber
ou que outros não sabem nada,
e opinam de consciência bem minada.

Nos costumes são bem casmurros,
não aceitam a normal diferença.
São teimosos animais, talvez burros,
adoram insultar, causar desavença,
sempre que julgam, sai ruim sentença.

No gosto, só a estupida militância,
não suportam diversos amores.
Desconhecem a beleza da tolerância,
são na vida uns austeros pastores,
ao seu gado, só palha, nunca erva e flores.

Deverá a todos apenas comandar a vontade,
nunca o seguidismo a humano ou divindade.

Cada um deve viver com quem entender
seja macho ou fêmea, mulher ou homem.
Tudo devem fazer sem ter de o esconder,
não importa que sexo gostam e consomem,
gay ou lésbica, é gente, não é lobisomem.

Chegarão bons tempos de mudança,
aceitarão o que pensas, escolhes e dizes.
Obscurantismos jamais serão herança,
no mundo haverá cores e seus matizes,
numa única obrigação, a de ser felizes…

Há pois que lutar por um mundo mais perfeito,
onde seja bom viver, sem estupidez nem preconceito.

Dinis Jesus 14-02-2014

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