Reflexões

Da fidelidade:
A experiência diz-nos que, naturalmente, os humanos são infiéis. Contrariam essa característica por força de um processo educacional contranatura, tal situação é causa mais de infelicidade que outra coisa qualquer, além de frequentemente levar os companheiros a mentirem um ao outro na tentativa de esconder atos de infidelidade ou o desejo de experiências sexuais com outros parceiros.
Muitos sofrimentos desnecessários, muitos incómodos da felicidade se evitariam se a fidelidade sexual deixasse de ser coisa de tão grande importância nos relacionamentos amorosos.

Dinis Jesus

Citação
Diário

Que se lixem as eleições…

Hoje, propagandisticamente, um tal de Núncio veio dizer que a continuar o IVA com as arrecadações como até aqui ( primeiro semestre ) Os contribuintes terão uma previsível devolução por crédito fiscal da sobretaxa de cerca de 100.000.000€, ou seja um valor por contribuinte de umas dezenas de euros. Mas tal devolução, para quem se está a lixar para as eleições não deixa de ter graça, já que o deficit é agora de -4 032,700.000€… Ou seja a andar assim no final do ano o saldo será deficitário de -8. 065.400.000€ ( algo como 5% do PIB ) ao que acrescerá os tais 100.000.000€ a devolver aos contribuintes… O que é isto senão eleitoralismo ? Misera sorte, Estranha condição.

Se os portugueses se deixarem enganar com truques destes, efectivamente têm os governantes que merecem.

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Poesia

Erva Daninha a Alastrar

Só eu sei que sou terra
terra agreste por lavrar
silvestre monte maninho
amora fruto sem tratar

Só eu sei que sou pedra
sou pedra dura de talhar
sou joga pedrada em aro
calhau sem forma de engastar

A cotação é o que quiserem dar
não tenho jeito para regatear
também não sei se eu a quero aumentar
porque eu não sei

Porque eu não sei se me quero polir
também não sei se me quero limar
também não sei se quero fugir
deste animal
que anda a procurar

Só eu sei que sou erva
erva daninha a alastrar
joio trovisco ameaça
das ervas doces de enjoar

Só eu sei que sou barro
difícil de se moldar
argila com cimento e saibro
nem qualquer sabe trabalhar

Em moldes feitos não me sei criar
Em formas feitas podem-se quebrar
também não sei se me quero formar
porque eu não sei

Porque eu não sei se me quero polir
também não sei se me quero limar
também não sei se quero fugir
deste animal
que anda a procurar

António Variações 1984

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Poesia

Sem medida

Amar bem é coisa difícil,
mais será se o desconhece o ente amado
ou se não desconhece, retribuir não pode ou quer
razões várias, qual delas a pior, seja até erro qualquer
de todas a mais dolorosa, por compromisso estar ocupado.

Como reza o Pessoa
esse tal amor amigo, o da medida precisa
que sendo coisa difícil, pode até ser boa.

Ser com liberdade e sem serrado compromisso
faz o amor ser belo e completamente insubmisso.
Enche a pessoa de doce lembrança
mantendo forte certo sentir, o da eterna esperança.

O amar sem posse, muito e sem medida,
pode até ser coisa una e das mais belas da vida.

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Diário

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.

Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.

E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa…

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
MAS O MELHOR DO MUNDO SÃO AS CRIANÇAS,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…

Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”

Em dia da criança e lembrando-me das que digo minhas, das dos outros e mais ainda das que não são de ninguém e sobretudo das que passam fome e são sujeitas a maus tratos neste injusto mundo…

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Poesia

Pecado

Tu és uma deusa, bruxa ou mulher?
Pura, gentil e formosa és uma musa
Sei que te quero mas não posso ter,
Pois minha consciência já me acusa.

És assim apenas o sonho recorrente,
Nas noites sem frio em que eu tremo,
Por ti clamo com o desejo indecente
E contigo chego ao prazer supremo.

Esteja eu onde esteja e quem estiver
Nessa tal entrega a libidinosa vontade
Estás tu, não outra que áquilo convier.

Mas qual culpa a minha em tais dores,
Essa que de ti me preenche e invade,
E só contigo me mostra belas cores?

Dinis Jesus 15-01-2014

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