Diário, Poesia

Anjo na Terra

Diz-se que não existem anjos
Indica-se que são criação metafisica
Liga-se a sua existência à crença
Cria-se assim um grande engano
E-se anjo quando se é bom na terra.

Dá-se o melhor que se tem
Insta-se, pelo exemplo, ao ser bom
Apoia-se os outros quando precisam
São anjos as pessoas boas como tu.

Dinis Jesus 27-02-2016

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Poesia

Violência

Sonhar-te loucamente
em constante frenesim,
num devaneio latente
vivo, a palpitar em mim.

Angélica, és doce e pura
numa capa de calmaria.
Gentil, de meiga ternura
lindos dons em romaria.

És desejo em fogo ardente
um querer descontrolado
vivido só e silenciosamente.

Outro amor é só dormência
já está meu peito inflamado
e só a ti quero com violência.

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Poesia

Soneto do infiel

Se felicidade é coisa importante
e para o bem viver quase bastante
da vida se devem retirar limitações,
as que ditam as regras e tradições.

Costumes bons, são os de cada um
comportamento acertado é nenhum
sendo todos se deles gosta alguém
segue o teu rumo, o de mais ninguém.

Fazer o que apetece sem conceder
é o caminho certo para ser mais feliz
afastando-se de um lento falecer.

Sê fiel se te apetece tal fidelidade
a uma,  só a uma, deves obediência
a dos teus quereres, fazer verdade.

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Poesia

Louca admiração

Há horas deveras mesmo estranhas,
Sejam elas de bom ou de mau tempo.
Quando chegas com teus encantos,
Mesmo no frio aquecem as montanhas.

Tudo fica mais colorido, alegre e lindo.
Anulando agruras, a rudeza desta vida,
Fugaz é cada dia, passa num segundo,
Pleno de estrelas com brilho reluzindo.

Fora outra a nossa mortal convivência,
Talvez mais sublime fosse o tempo,
Boa a jornada, gostosa a existência.

Cada pedaço desse teu corpo discreto.
Já maduro e até cansado pela vida,
Além de belo, era aconchego concreto.

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Diário, Poesia

Causas Maiores

Um português com duas nacionalidades por razões de dignidade nem se importa de morrer, tal atitude é a maior e mais importante forma de ser.

Outros mesmo estando vivos, viverão bem menos que um Luaty fisicamente extinto mas existindo eternamente, os melhores não morrem nunca e antes vivem perenemente.

Sem saber o que se vai passar, se os algozes vai demover ou antes o deixam morrer, este homem maior até paga com a vida saber o que vai acontecer.

Gente de causas maiores sente que a própria vida, essa que a animalidade nos manda defender, serve de pouco se nos sujeitamos ao que um qualquer outro entender.

Humanos de dimensão maior não se importam de se sacrificar, se com isso entendem a humanidade melhorar.

Homem grande comparando com quem na sua terra de África manda é o Luaty Beirão, luta por si e por todos os que na sua causa estão.

Esperemos que quem manda, mal como se pode ver, possa ainda perceber o erro bem grande que está a cometer.

Não, Angola não pode ser mais o que é, não pode aceitar deixar morrer quem sem mal fazer a ninguém, apenas quer fazer da sua terra melhor e assim chegar mais além.

Viva o Luaty. Esperemos que os que podem e mandam sejam humanos e não se escondam em vis enganos.

Coimbra, 25 de outubro de 2015

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Esperança

Se quiseres partir amanhã

eu páro o mundo

com facilidade assim

com esta mão

e então descobriremos

o mais profundo fundo que há no mundo

que é no irmos fundo às coisas

que há razão

de verdades consumadas me consomem

de falácias bem montadas me alimentam

mas meu filho, mora o reino do futuro

que é mais duro

e não vai ser com palavras

que o contentam

Se a morte lenta te rebenta sob a pele

a cada dia

e se no teu braço apenas sentes a força

de um cansaço organizado

mas manténs na tua fronte a dúvida

e o gosto pelo longe e a maresia

e se sentes no teu peito de criança

a alma de um sonho amordaçado

se quiseres partir amanhã

eu páro o mundo

com facilidade assim

com esta mão

e então descobriremos o mais profundo

fundo que há no mundo

que é no irmos fundo às coisas que há razão.

«« PEDRO BARROSO »»

Iste mundus furibundus falsa prestat gaudia,

quia fluunt et decurrunt ceu campi lilia.

Laus mundana, vita vana vera tollit premia,

nam impellit et submergit animas in tartara.

(in “Carmina Burana”, c.1230)

Tradução do latim:

[Este mundo furibundo nos dá falsas alegrias,

que fluem e se dissipam como pelos campos os lírios.

Louvores mundanos, vida vã afastam-nos dos veros prémios,

para impelir e submergir nossas almas no tártaro.]

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