Poesia

Esperança

Se quiseres partir amanhã

eu páro o mundo

com facilidade assim

com esta mão

e então descobriremos

o mais profundo fundo que há no mundo

que é no irmos fundo às coisas

que há razão

de verdades consumadas me consomem

de falácias bem montadas me alimentam

mas meu filho, mora o reino do futuro

que é mais duro

e não vai ser com palavras

que o contentam

Se a morte lenta te rebenta sob a pele

a cada dia

e se no teu braço apenas sentes a força

de um cansaço organizado

mas manténs na tua fronte a dúvida

e o gosto pelo longe e a maresia

e se sentes no teu peito de criança

a alma de um sonho amordaçado

se quiseres partir amanhã

eu páro o mundo

com facilidade assim

com esta mão

e então descobriremos o mais profundo

fundo que há no mundo

que é no irmos fundo às coisas que há razão.

«« PEDRO BARROSO »»

Iste mundus furibundus falsa prestat gaudia,

quia fluunt et decurrunt ceu campi lilia.

Laus mundana, vita vana vera tollit premia,

nam impellit et submergit animas in tartara.

(in “Carmina Burana”, c.1230)

Tradução do latim:

[Este mundo furibundo nos dá falsas alegrias,

que fluem e se dissipam como pelos campos os lírios.

Louvores mundanos, vida vã afastam-nos dos veros prémios,

para impelir e submergir nossas almas no tártaro.]

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