A verdadeira capacidade de um revolucionário se mede por sua habilidade de encontrar táticas revolucionárias adequadas para cada mudança de situação.
Sim temos culpa, nós os portugueses, saímos do Brasil deixando atrás gente muito mal formada do lado dos senhores e resignada dos lados dos escravos.
Quem esteve mais de trezentos anos e só deixou a colónia há cento e noventa e quatro anos tem agora de saber esperar, sem falsas hipocrisias, que numa parte do globo em que o entorno não é muito diferente em grau de cultura a mentalidade vá mudando pela formação educativa, como tem vindo a ser feito nos últimos anos, para que com o conhecimento os talhados para escravos saibam, possam e queiram dar pancada nos bacocos senhores, genericamente brancos, e que falam de trabalho mas nunca souberam o que é trabalhar ou passar dificuldade.
Fala com conhecimento quem passa pela dificuldade… Os outros falam por falar e maioritariamente não lê se tem mais que uma ou duas linha de texto, não estuda porque é chato, não discute com base em números porque os não conhece, não se informa porque isso obriga a esforço.
A maioria dos que hoje rejubilam com o resultado da votação na câmara de deputados de domingo passado no Brasil,não percebe mesmo nada do que se está a passar nem entende nada de politica nem de sociedade, mesmo os deputados que votaram maioritariamente sim, se pode avaliar a sua cultura e capacidade politica pelos motivos que invocaram para votar SIM… Reveladores da sua falta de modernidade e capacidade intelectual.
Misera sorte, estranha condição…
Dinis Jesus
Não sou descendente de escravos. Eu descendo de seres humanos que foram escravizados!
Makota Valdina
Querer sem fim
Quero-te em todas as manhãs
Quero-te em todas as tardes
Quero-te em todas as noites
Quero-te durante toda uma vida.
Quero-te mas sinto que és minha
Quero-te, o não ter-te é tormento
Quero-te com força, mas adivinha:
Quero-te e és minha em pensamento.
Quero-te e querer-te é sonhar alto
Quero-te, e tal querer finda no morrer
Quero-te em violento e lindo sobressalto
Quero-te e sei que um dia me vais querer.
O mulherão
Peça para um homem descrever um mulherão. Ele imediatamente vai falar do tamanho dos seios, na medida da cintura, no volume dos lábios, nas pernas, bumbum e cor dos olhos. Ou vai dizer que mulherão tem que ser loira, 1,80m, siliconada, sorriso colgate. Mulherões, dentro deste conceito, não existem muitas: Vera Fischer, Leticia Spiller, Malu Mader, Adriane Galisteu, Lumas e Brunas. Agora pergunte para uma mulher o que ela considera um mulherão e você vai descobrir que tem uma a cada esquina.
Mulherão é aquela que pega dois ônibus por dia para ir para o trabalho e mais dois para voltar, e quando chega em casa encontra um tanque lotado de roupa e uma família morta de fome. Mulherão é aquela que acorda de madrugada para pegar a senha da matrícula na escola e aquela aposentada que passa horas em pé na fila do banco para buscar uma pensão merreca. Mulherão é a empresária que administra dezenas de funcionários de segunda a sexta, e uma família todos os dias da semana. Mulherão é quem volta do supermercado segurando várias sacolas depois de ter pesquisado preços e feito malabarismo com o orçamento. Mulherão é aquela que se depila, que passa cremes, que se maquia, que faz dieta, que malha, que usa salto alto, meia-calça, ajeita o cabelo e se perfuma, mesmo sem nenhum convite para ser capa de revista. Mulherão é quem leva os filhos na escola, busca os filhos na escola, leva os filhos pra natação, busca os filhos na natação, leva os filhos pra cama, conta histórias, dá um beijo e apaga a luz. Mulherão é aquela mãe de adolescente que não dorme enquanto ele não chega, e que de manhã bem cedo já está de pé, esquentando o leite.
Mulherão é quem leciona em troca de um salário mínimo, é quem faz serviços voluntários, é quem colhe uva, é quem opera pacientes, é quem lava roupa pra fora, é quem bota a mesa, cozinha o feijão e à tarde trabalha atrás de um balcão. Mulherão é quem cria filhos sozinha, quem dá expediente de oito horas e enfrenta menopausa, TPM e menstruação. Mulherão é quem arruma os armários, coloca flores nos vasos, fecha a cortina para o sol não desbotar os móveis, mantém a geladeira cheia e os cinzeiros vazios. Mulherão é quem sabe onde cada coisa está, o que cada filho sente e qual o melhor remédio pra azia.
Lumas, Brunas, Carlas, Luanas e Sheilas: mulheres nota dez no quesito lindas de morrer, mas MULHERÃO É QUEM MATA UM LEÃO POR DIA.
Martha Medeiros
Porque alguns, quase sempre enganados, ficam meios anestesiados ou deslumbrados por recentes paixões, de qualquer natureza, lembro que assim escreveu Camões nos seus Lusíadas:
“Estavas, linda Inês, posta em sossego
de teus anos colhendo doce fruito,
naquele engano da alma ledo e cego,
que a fortuna não deixa durar muito,[…]”
Nota: A Inês dos versos pode muito bem, nos dias de hoje, ser uma qualquer Maria ou um qualquer Manuel.
Dinis Jesus
Anjo na Terra
Diz-se que não existem anjos
Indica-se que são criação metafisica
Liga-se a sua existência à crença
Cria-se assim um grande engano
E-se anjo quando se é bom na terra.
Dá-se o melhor que se tem
Insta-se, pelo exemplo, ao ser bom
Apoia-se os outros quando precisam
São anjos as pessoas boas como tu.
Dinis Jesus 27-02-2016
“J’ai fait tous les calculs. Ils confirment l’opinion des spécialistes: notre idée est irréalisable. Il ne nous reste plus qu’une chose à faire : la réaliser.”
Tradução livre:
Já fiz todos os cálculos. Estes confirmam a opinião dos especialistas: A nossa ideia é irrealizável. Não nos resta mais nada a fazer de que uma coisa: realizá-la.
Pierre-Georges Latécoère
Constato frequentemente com tristeza que a escala em que a humanidade, genericamente, valoriza o erro é sempre muito maior do que aquela em que valoriza o acerto.
Como tal, os outros definir-te-ão pelas coisas “más” que praticas independentemente do seu número ser ínfimo comparativamente com o número de coisas que fizeste “bem”.
Dinis Jesus
Violência
Sonhar-te loucamente
em constante frenesim,
num devaneio latente
vivo, a palpitar em mim.
Angélica, és doce e pura
numa capa de calmaria.
Gentil, de meiga ternura
lindos dons em romaria.
És desejo em fogo ardente
um querer descontrolado
vivido só e silenciosamente.
Outro amor é só dormência
já está meu peito inflamado
e só a ti quero com violência.