CERTA «BRUTALIDADE INTELECTUAL» CONSIDERADA COMO DEVER
Quando tive finalmente a oportunidade de o conhecer, mesmo se o não tivesse achado uma pessoa simpática, teria sido fatalmente levado a mudar de atitude para consigo, pois, assim que se encontra alguém em carne e osso, compreende-se logo que se trata de um ser humano e não de uma espécie de caricatura encarnando determinadas ideias. É em parte por esta razão que nunca frequento os meios literários, porque sei por experiência própria que, a partir do momento em que travo conhecimento com qualquer indivíduo, e que lhe falo, me torno definitivamente incapaz de o tratar com brutalidade intelectual, mesmo quando sinto ser um dever fazê-lo – tal e qual como os deputados trabalhistas que se perdem para sempre para a causa do partido assim que um duque lhes dá uma palmadinha nas costas.
(carta enviada ao poeta e crítico literário Stephen Spender)