Reflexões

Porque eu não seria capaz de dizer tão bem e porque acho brilhante o entendimento que vai ao encontro do que por aqui tenho escrito em outras alturas. E também para que se saiba que existem caixas de comentários no Facebook que valem bem a pena serem visitadas.

“Quanto a Sócrates parece que se vos desvaneceu da memória a pressão esmagadora – parecida com a exercida sobre Bruno de Carvalho – que ele suportou. A conduta sob pressão – e nem os defensores esperavam que a pressão fosse tão grande – fez subir a minha consideração por ele. Essa pressão, arrasante, indecente, devoradora, revelou um homem de determinação excepcional e fibra rara. E há uma coisa em que sem o querer tem mais razão do que supõe: os “fortes indícios” de que eles continuavam à procura mesmo depois de o libertarem, mas disseram já ter quando o prenderam, esses fortes indícios eram parvoíces que o sentimento de ultraje e as exigências de honra pessoal de Sócrates exigiam que fossem imediatamente desfeitos, com a demonstração da ignorância soez que em quase todos os casos lhes fazia imaginar poderem dizer os dislates que diziam. Os defensores – como qualquer advogado – teriam preferido, aposto, deixar aqueles chorrilhos irem à audiência para serem desfeitos sem remissão possível. Mas não. Sócrates, como bem se viu, exigia o desmantelamento imediato daquilo e incumbia-se ele próprio disso. E os procuradores tinham que ir (e iam e foram) à procura de outras coisas para dizerem e lá voltavam com mais um chorrilho de asneiras (puras e simples,,, digo-o com o á-vontade de quem viu o processo). A conduta daquela gente em processo não tem perdão. E o Estado deveria ser submetido ao veredicto de Estrasburgo por este exemplo de degradação. Não sei se Sócrates fez ou não algum disparate. Por mim, desde o Fontes Pereira de Melo que não havia um homem com uma determinação na política de desenvolvimento como ele manifestou. Com uma tal lucidez na política externa. Com uma política de educação e de investigação cientifica ímpares para os hábitos locais. Não sei se fez ou não algum disparate…Mas nos autos do processo estão conjecturas de pacóvios e nenhuma demonstração. Ninguém pode ser perseguido com tão escasso fundamento. Um pacóvio azedado “acha” coisas…E isso basta seja para o que for? Não pode ser. Investiguem. Estudem (já agora) digam coisas com sentido, façam coisas com nexo e respeitem o Direito que servem para aplicar. O resto, são coisas que são compreensíveis em si, no chamado “homem comum” (embora o homem comum também tenha cérebro e deva medir o perigo para si próprio de ter alarves como estes sem freio tanto tempo, a imaginarem que fazem processos). Coisas compreensíveis no homem comum. Mas desvinculáveis neles. -“Não tenho amigos assim”. Que tenho eu com isso? Que tem o Direito com isso? (Que tem Sócrates com isso?) —O “parece-me” não pode bastar em processo, a não ser em alegações de advogado e quanto a matéria de Direito, em proposta de decisão que formule (em nenhum outro cabe a expressão na primeira pessoa do singular, porque só o advogado foi pessoalmente chamado… Aos outros cabe o “nós” porque é a organização institucional que fala e fala em nome do povo cuja vontade se plasmou em Lei, cristalizada numa Hierarquia das normas e aplicada na Hierarquia dos tribunais). Jurisprudência de tasca…é para a taberna. Não para o processo.”

 

 

José Preto

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